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Argentina: levaram-no vivo, vivo o queremos! Onde está Santiago Maldonado?

Nós da Corriente Socialista Militante exigimos a imediata aparição de Santiago Maldonado com vida e a punição aos responsáveis por seu sequestro e aos mentores de tal ato. O Estado é responsável.

A indignação pelo desaparecimento forçado de Santiago corre todo o país. Hoje somos milhões em toda a Argentina mobilizados contra esse novo crime da Gendarmería[1] em cumplicidade com o governo macrista.

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Há um mês de seu desaparecimento, a impunidade com que se movem os funcionários do Cambiemos[2] é repugnante. Somente a luta popular conseguirá romper esse pacto de silêncio entre as forças de repressão do Estado e o governo nacional.

O Estado capitalista põe seu braço armado ao serviço dos Benetton, das mineradoras e das petroleiras, enfrentados pela mobilização do povo mapuche[3].

Somente a mais ampla e contundente mobilização popular pode abrigar que nossos inimigos nos entreguem os sequestradores de Santiago e nos revelem seu paradeiro.

Esses elementos fascistas procuram mandar uma clara mensagem a todos os militantes populares que lutam contra a desigualdade, a miséria e a injustiça: “Calem-se ou enfrentem as consequências”, querem nos gritar.

Mas os milhares que hoje estão conosco nas ruas têm lhes demonstrado que os trabalhadores e a juventude não têm medo e não iremos nos calar.

Nestes dias conseguimos observar que, igualmente como fizeram no caso do companheiro Julio López, os serviços de inteligência ligados ao aparato repressivo estão constantemente embaraçando a investigação com pistas falsas, com o objetivo de confundir à população e levantar dúvidas acerca do caso.

Denunciamos a maneira com que o governo está esvaziando o ambiente como estratégia de preparar a repressão e levar adiante a segunda etapa do ajuste após outubro.

Os meios de comunicação apoiam esta campanha perigosa. Assim vemos no Clarín, La Nación ou Infobae declarações onde o governo procura ligar ao terrorismo os mapuches, Santiago Maldonado e as organizações kirchneristas e de esquerda.

Fabricaram falsos atentados com bombas caseiras em diferentes lugares de Buenos Aires e Córdoba, realizam um autoataque à casa de Chubut e geraram um falso e brutal ataque à polícia na primeira mobilização contra o desaparecimento de Maldonado.

Na quinta-feira, dia 31 de agosto, em Córdoba, realizaram um ato gravíssimo. A polícia invadiu lugares de organizações populares que participaram da marcha contra o “Gatillo Fácil[4].

Isso é algo que deve ser considerado pelo conjunto das organizações do campo popular, já que, pouco a pouco, prepara-se o terreno para uma repressão aberta contra quem resistir ao ajuste.

Fazemos um chamamento aos trabalhadores, aos estudantes e aos setores populares para unidos pararem com as intenções do governo macrista de aprofundar a perseguição e repressão aos setores populares.

Somente o avanço do movimento para uma sociedade mais justa – o socialismo – pode acabar com as feridas desta sociedade exploradora, que precisa da repressão para perpetuar a desigualdade.

Aparição de Santiago Maldonado com vida!

Fora Patricia Bullrich e todo o seu gabinete!

Fim do aparato repressivo!

Julgamento e punição aos responsáveis!

Não à judicialização das manifestações sociais!

Pela defesa das liberdades democráticas!

 

[1] Organização militar nacional argentina que cumpre funções de polícia em cidades menores (Nota do Tradutor – N.T.).

[2] Coalizão política formada para o lançamento da candidatura de Macri à presidência da Argentina em 2015 (N.T.).

[3] Povo indígena distribuídos entre o centro-sul do Chile e sudoeste da Argentina (N.T.).

[4] Expressão em espanhol que indica o uso abusivo de armas de fogo por parte das forças repressoras, geralmente apresentadas como ação acidental ou de legítima defesa (N.T.).

Artigo publicado na página El Militante, da seção argentina da Corrente Marxista Internacional Corriente Socialista Militante, sob o título ¡Vivo se lo llevaron, vivo lo queremos! ¿A dónde está Santiago Maldonado?, publicado em 1º de setembro de 2017.

Tradução de Nathan Belcavello

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