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Aonde vão as assembléias da USP?

Caio Dezorzi

A assembléia geral dos estudantes da USP de ontem (23/11), realizada na POLI, aprovou por ampla maioria a continuidade da greve. Vitória para os estudantes! Mas isso só não é suficiente. A assembléia deveria servir para definir ações que fizessem avançar o movimento, em particular dirigindo-se aos professores – afinal há um grande contingente de estudantes que não entra em greve por estar ameaçado pelo calendário de provas de fim de ano. Se os professores entrassem em greve ou ao menos flexibilizassem o calendário de provas e trabalhos, a greve certamente daria um salto.

Entretanto, as forças políticas organizadas que têm peso no movimento estudantil da USP desenvolveram uma disputa de aparelho sobre o movimento que fez do restante da assembléia uma guerra de torcidas. De um lado a direção do DCE (PSOL) junto com o PSTU; do outro lado grupos minoritários que conseguiram eleger bom número de militantes para o Comando de Greve (LER-QI, MNN e PCO). A grande polêmica que fez estes grupos políticos levarem a assembléia a ficar votando e re-votando durante mais de uma hora, com manobras da mesa e questões de ordem sem fim, era – pasmem! – quem organizará a calourada do ano que vem: o DCE ou o Comando de Greve. Parece piada, mas não é. Seria cômico se não fosse trágico. O único que estava rindo muito com isso tudo chama-se Rodas.



É difícil de acreditar, mas foi isso mesmo: Os grupos que se dizem ultra-revolucionários levaram uma assembléia de quase 2 mil estudantes ao desgaste e cansaço para decidir quais  deles teriam poder sobre a calourada do ano que vem enquanto a PM continua no Campus e guardas universitários transmitiam por rádio toda a assembléia, onde provavelmente na outra ponta o comandante da PM e o Reitor se regozijavam ao ouvir as intervenções inflamadas sobre a organização da calourada do ano que vem!

A expressão no rosto da maioria dos estudantes era de desânimo e desgaste. A irresponsabilidade de grupos como estes que promoveram esse circo de horrores na assembléia terá conseqüências trágicas para o movimento. A assembléia de ontem já foi menor que a anterior e a postura de trais grupos tende a afastar ainda mais estudantes.

Os estudantes que militam na Esquerda Marxista infelizmente ainda são poucos na USP para fazer frente às torcidas organizadas de tais grupos e assim fica difícil de ajudar o conjunto dos estudantes a superar esses obstáculos. A intervenção dos camaradas da Esquerda Marxista se limitou à distribuição de um panfleto que, sem ficar polemizando com outras forças políticas, simplesmente apresentava propostas concretas do que fazer e uma perspectiva que anime o conjunto dos estudantes a prosseguir e ampliar sua luta.

Ainda é tempo! Os estudantes da USP têm as possibilidades de fazer desse movimento de greve uma batalha vitoriosa contra a militarização e privatização da universidade, apesar da ação nociva que vêm apresentando os grupos que dirigem o movimento. Esses grupos todos deveriam parar imediatamente toda disputa de poder dentro do movimento e agir em frente única até a conquista da retirada da PM do Campus.

Leia aqui o nosso panfleto e entre em conato conosco! Contribua para que a Esquerda Marxista construa uma força mais numerosa na USP capaz de ajudar os estudantes a superar esses problemas e alcançar a vitória!

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3 Comentários

  1. Parece até que nos conversamos antes de escrevermos os nossos artigos…

  2. Venho acompanhando as notícias ao entorno do movimento estudantil da USP por diversas fontes, inclusive por jornais de alto escalão, que, no entanto, se mostram simplistas em suas abordagens. E acrescento aqui as minhas congratulações pela ampla perspectiva que este blog oferece sobre a situação. Sendo assim este, um meio realmente eficiente e democrático na difusão e discussão desse importante evento.

  3. Concordo plenamente, em sete anos de USP, entre graduação e pós, vejo que essa é uma situação que não muda. É uma briga que sinceramente não agrega, só racha ainda mais os estudantes combativos da USP – é muito desanimador, se pelo menos em situações excepcionais como a de agora eles se unissem, mas nem.

    Ponto pra eles – os outros, os de lá. Tsc.