Início / Sem Categoria / Alguns ensinamentos da greve dos motoristas transportadores de combustíveis

Alguns ensinamentos da greve dos motoristas transportadores de combustíveis

Wanderci Bueno

Com a greve a gasolina acabou, pela tarde posto vazio

Passava eu diante de um posto de gasolina quando pude verificar que o anunciado como iniciado no dia anterior era verdade e de fato estava ocorrendo. Uma fila enorme de carros diante das bombas de combustível e um cartaz informava: Não temos gasolina! Era a greve dos caminhoneiros de combustíveis que, se fortalecendo de um dia para o outro, começava a colapsar o sistema de distribuição do precioso líquido nos postos de gasolina.

Uma cidade feita para carros, melhor dizendo para a indústria automobilística, ou ainda melhor, para os capitalistas da indústria automobilística e outras. Uma cidade assim pode, de uma hora para outra virar um inferno e colapsar, os 7 milhões de carros em São Paulo podem não mais servirem para nada. As bobas caras dos motoristas dos carros, solitários ao volante, enfrentando os congestionamentos de todos os dias, agora tinham um ar de preocupação e de impotência. Reféns de caminhoneiros? Era muito pra cabeça! 

Rodízio de carros na cidade, proibição da entrada de carro em determinadas áreas, nada consegue parar o crescente congestionamento. Uma cidade com milhares de distribuidoras de carros e revendedoras, a cidade dos automóveis, maravilhosa e poluída estava sendo parada por um punhado de motoristas que reclamavam contra medidas adotadas pelo prefeito da metrópole cinzenta.  

Que sistema, que cidade! Tudo parece ser forte, onipresente e onipotente, lógico e racional.
Em horas um punhado de motoristas coloca tudo de pernas para o ar. Que fragilidade!

– Isso não é possível, dizia um motorista, e completava: – deixarem a gente sem gasolina. Reclamar para quem? São todos da mesma laia! Concluiu.

Acho que ele se referia aos governos. Mas como não perguntei pode ser que se referisse aos deputados, sei lá.
Fiquei a observar a fila e me indaguei: o que aconteceu, porque os caminhoneiros pararam?
Puxei pela memória me baseando nas noticias que li no dia anterior.

Kassab, o engenheiro prefeito, retirou de circulação das marginais todos os caminhões de transporte de combustíveis. O caminhoneiro para chegar até Guarulhos, vindo da região sul, tem que dar a volta pelo tal do Rouboanel tucano, ou rodoanel, ir até o ABC, sair pela Jacupêssego, lá pelo fundão de Santo André e São Miguel e depois de dezenas de quilômetros percorridos, chega na Dutra, gastando 2 horas a mais, se tudo correr bem. 
Se isso se chama engenharia de tráfego ou de transportes, então podemos concluir que o engenheiro chefe é muito burrro. Seu nome: Gilberto Kassab. Aquele que Lula e Zé Dirceu queriam como aliado para o PT nas eleições em São Paulo. 

Haddad, o candidato do PT para prefeito realmente é um homem de sorte. Pensei: imagina se o danado tem que carregar esse traste do Kassab nas costas? O PT já tem Sarney e sua tribo, Maluf, Temer, Collor, e ainda quer mais porcaria? O PT não é aterro sanitário não!
Realmente Serra, que é amigo de Kassab, salvou Lula e Zé Dirceu de uma tragédia. Esses dois companheiros queriam porque queriam que o PT se juntasse ao PSD do bruto do engenheiro. (Creio que ainda querem, aguardemos.) Mas, pensando bem, Serra é bem mais bruto e burrão que Kassab. Ao invés de chamar o engenheiro para se aliar com o PSDB, deveria tê-lo empurrado de vez para Lula. Agora o carecão mor da privataria tucana ficou abraçado ao engenheiro que está paralisando São Paulo e os dois podem ser enterrados juntos nas eleições. 


Mas a coisa ainda está rolando e o PSB de Eduardo Costa, cabra do PSB lá de Pernambuco, herdeiro do falecido Arraes, está correndo para ver com quem fica aqui em Sampa: com o PSDB ou PSD? Ou com os dois? E há quem queira que o PT fique com o PSB, que está na lista de apoiadores de Dilma e no governo de colaboração de classes, mas que em Sampa morre de amores pelo PSDB e quer como concubina o PSD de Kassab. 

Haddad, te apruma companheiro, seus aliados são os de baixo, os pobres, os trabalhadores, esse troço de juntar patrão e empregado, empresário e trabalhador, o partido dos de baixo com os partidos dos patrões só serve para a gente fazer o palco para eles subirem para cantar e levarem a grana e depois chamar a gente para pagar a conta e desmontar o palco. 
Mas, voltando ao tema da greve dos caminhoneiros. 

Depois de ver a situação por todos os ângulos, concluí que esse punhado de caminhoneiros deixou todos as ratazanas da burguesia em maus lençóis. A frota de carros de mais de 7 milhões pode estar condenada a ficar em casa e o povaréu vai ficar p da vida. Os bacanas , donos de postos vão virar o bicho. E os magnatas das distribuidoras vão apertar o prefeito. O pau vai cantar!
Ouvi dizer que Kassab, o burrão, quer meter tropas nas ruas e avenidas para fazer a gasolina chegar aos postos. A tropa de choque da PM vai transportar gasolina, vai forçar os motoristas a trabalharem? Vai meter o pau nos piquetes da greve? Será que Dilma vai acionar as Forças Armadas e atender os apelos de Kassab? Xiiii…, sei não! Depois da briga da comadre com o comandante Paiva que meteu a boca no governo defendendo os milicos que praticaram torturas e crimes na época da ditadura….sei não, acho que as coisas não serão fáceis assim.
Mas pensando um pouco mais adiante, jogando o pensamento longe, indaguei: se uma pequena parte da classe trabalhadora organizada pode paralisar a grande metrópole, imagina se entram em greve os que fazem os carros, os que retiram o petróleo desde lá debaixo da terra? Se resolvem parar os que fazem a energia elétrica ser gerada em uma usina e chegar nas casas mais longínquas do país, imagine só. E se param os trabalhadores das minas, os que trabalham nas siderúrgicas, os que trabalham nos serviços de abastecimento de água, os lixeiros, os trabalhadores da cana, do milho e da soja, que dão o duro nos agronegócios dos ricaços, se todos, absolutamente todos parassem em todo o país? Seria uma força descomunal, nem Kassab, nem Alckmin, nem Serra, nem governo nenhum conseguiria parar tamanha força! 
Pensei um pouquinho mais longe. E se nesse dia eles todos, parados, em greve, começassem a pensar: afinal quem manda nesse país, afinal quem produz tudo nesse país a não ser nós? Os trabalhadores têm muito pouco tempo para pensar. A maior parte de seu tempo é gasto trabalhando para meter mais e mais dinheiro no bucho dos ricaços e levar algum troco para matar a fome dos barrigudinhos em casa. Mas quando milhares de trabalhadores pararem descobrirão seu poder. Aí começará uma era de profundas mudanças.
Quando atravessei a rua, ainda pensativo, tomei um susto: levei um buzinaço pelas costas. Um grito: – sai da rua seu babaca! Olhei o carro e apenas estiquei o dedo médio, encolhendo os demais. O maluco sumiu cantando os pneus quando o farol se abriu para ele. Veloz, para não chegar a lugar algum.
Quando terminava a redação do que acabam de ler, tive a informação de que a PM já está, a mando de um juiz e a pedido do Sindicato patronal de distribuidores, “escoltando” o transporte de combustíveis e que ocorreram choques entre a PM e os grevistas. Amanhã vai ser outro dia!
Vida longa às lutas dos trabalhadores! Sucesso caminhoneiros! 

Deixe seu comentário

Leia também...

Camarada Roger, presente!

É com imensa tristeza que informamos a morte do nosso jovem camarada Roger Eduardo Miranda. …

Um comentário

  1. É muito interessante o que estamos passando está semana, pena que não nos atentamos. Faz muito tempo que uma greve não faz o que esta está fazendo.
    Paralisar a cidade, pois sem gasolina se suspende a entrega de qualquer mercadoria, suspendendo as entregas as empresas se manifestam, e acabam pressionando o governo para alguma atitude.
    Eu sou a favor da greve, gostaria que esses caminhoneiros fossem as últimas da greve, causando o caos na grande metrópole financeira do País!
    Está ai uma grande atitude, se todos ganhassem essa consciência de que a base é a base, e sustenta uma piramide ……ai ai
    "Se o povo soubesse o poder que ele tem, não aceitava desaforos de ninguém"