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Agosto, mês de mobilizações

Em uma antiga superstição popular, mês de agosto é mês de azar. E, ao que parece, azar dos governantes, que não conseguem retomar os seus “índices” de popularidade e se reúnem desesperados com assessores, secretários, ministros e marqueteiros tentando se conectar com as vozes das ruas. Mas, ao que parece, esquecem a lição elementar: a história do mundo é a história da luta de classes (Manifesto Comunista) e todas as explicações sobre os novos tempos, novas formas de mobilização procuram apenas esconder esta realidade crua.
 
Em julho, a casa de Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio, virou atração turística: até durante a visita do Papa, dia sim, noite sim, tem manifestação na porta do prédio do Leblon, bairro chique do Rio aonde vive o governador. Os vizinhos já  depois que a violência policial não foi capaz de conter as manifestações (ver matéria na página 4), ele mudou a forma de repressão e de agir. Mas seus índices não mudaram e o desespero anda alto.
 
Afinal, a grande mídia, depois de anos de coquetear com todos os seus destemperos, arroubos e muito mais que isso, começa a mostrar coisas que as ruas já gritavam: a triste realidade da repressão nos morros do Rio, que as UPP não resolveram, os conluios para as desapropriações e as obras miraculosas da Copa, da vinda do Papa, do “Porto Maravilha” e muita coisa ainda não deve ter sido mostrada. E os cariocas, obrigados a conviver com um transporte ruim, com um atendimento a saúde péssimo, com escolas ruins, universidades estaduais jogadas as traças, começam a se perguntar aonde foi o dinheiro dos impostos e do petróleo. Sim, a velha luta de classes, na qual os trabalhadores pagaram impostos e agora notam que o dinheiro voltou para a burguesia, para os empresários nos contratos, concessões e obras.
 
Em nível nacional, a situação é igual. Dos cinco pactos propostos por Dilma, o único que parece valer é a manutenção do superávit primário, já que o programa Mais médicos muda todo dia, o plebiscito/constituinte naufragou, os 100% de dinheiro do petróleo não chega a 7% do valor dos royautes e o pacto de administração ninguém sabe, ninguém viu e do transporte, a única coisa que vemos é a volta das privatizações de estradas.
 
O PT se reúne
 
O Diretório Nacional do PT se reuniu e na primeira vez nada pariu. Chamado as pressas por causa das divergências a respeito de suas eleições internas (o PED), o Diretório apreciou o documento que não tinha sido apreciado da última vez. Se nada falar é um problema, diagnósticos errados conduzem a medidas erráticas. “Neste sentido, é correto dizer que as manifestações são conseqüência combinada dos êxitos e dos limites das mudanças realizadas no Brasil, ao longo dos últimos 10 ano” (DN-PT, 29/07/13). Em outras palavras, o governo do PT vem fazendo tudo certo, o problema são as alianças que limitaram o governo mas as ruas ajudarão a melhorar o quadro. Tudo certo? Manter o pagamento da dívida, continuar com as privatizações, fazer a reforma da previdência, congelar a reforma agrária, vetar o fim do fator previdenciário, desonerar a folha de pagamento, doar bilhões aos empresários em forma de isenções fiscais? Construir estádios e financiar os Eike Batistas da vida? Tudo isto acontecendo e as escolas vão mal, a saúde vai mal e eles falam em “êxitos”?
 
É um discurso que teria uma boa chance de passar se não fosse uma coisa chamada realidade. A crise de 2008 continua e começa a chegar no Brasil (aumento do dólar, diminuição do investimento externo, queda da balança comercial, estagnação da produção industrial, inflação, demissões). E o Diretório embora peça para que as alianças sejam “reavaliadas” mantem o essencial que permitiu “as alianças”’: o pacto pela manutenção do superávit primário, primeiro dos pactos de Dilma ou, em outras palavras, “vamos manter os contratos”. 
 
Traduzindo: muda tudo para nada mudar, muda a linguagem para termos mais “esquerdistas”, mas o presidente do PT vem a público reafirmar que a aliança com o PMDB, o maior partido burguês, continua intacta. E continuamos a pagar a dívida, continua o programa de privatizações de estradas e rodovias, licitações para trens balas, privatização de mais aeroportos, privatização dos portos, leilões do petróleo, agora atingindo a maior bacia descoberta do pré-sal. E o Diretório conclui reafirmando os 5 pactos de Dilma. 
 
Então, a linguagem mais esquerdista serve para tentar não perder votos na eleição interna, as correntes que são solidárias com esta política (Articulação de Esquerda, DS-Mensagem ao Partido, O Trabalho), incluem seus próprios signos “mais a esquerda” dentro da linguagem geral (rompimento com o PMDB, rompimento com o governo Cabral, Constituinte exclusiva), reclamam do que foi retirado do programa, mas esquecem o central: só há um caminho para enfrentar a crise que se aproxima, o combate decidido pelo socialismo. 
 
Retornam as greves
 
E no Brasil inteiro retornam as greves: logo após a mobilização das centrais em 11 de julho, uma série de greves em cidades aconteceram. Agora uma greve nacional dos aeroportuários. Aproximam-se as campanhas salariais dos petroleiros e bancários. E a burguesia divide-se entre enfrentar diretamente as massas ou ceder um pouco para não perder tudo. Ela ensaia um corte direto aos direitos trabalhistas, cortando os 10% de multa do FGTS em caso de demissão (o que facilita as demissões) e Dilma veta, em nome do “equilíbrio fiscal”. Mas, como uma economia de 3 bilhões de reais ajuda o tal “equilíbrio” se de desonerações e renúncias fiscais se deu a burguesia um presente de mais de 35 bilhões de reais no primeiro semestre? 
 
A verdade é que Dilma teme os resultados desta “pequena mudança”. A CUT sai a campo apoiando Dilma e também as centrais prometem agora em 6 de agosto uma mobilização contra a precarização das terceirizações, em votação no congresso. O Congresso quer colocar este veto de Dilma em votação, tem o projeto da terceirização e a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) que deveria “organizar” o orçamento do ano de 2014 não foi votada. 
 
O novo “point” do Leblon, aonde os turistas poderão ver todo dia manifestações no Rio, ameaça se transferir para o Congresso que reabre suas portas em Brasília neste mês de agosto. A classe trabalhadora começa a mostrar os seus músculos. A tarefa dos militantes da Esquerda Marxista e de seus simpatizantes é mostrar que única solução possível é romper de vez com a burguesia e caminhar em direção ao socialismo.
 

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