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Abaixo a contrarreforma do ensino

Por que devemos derrotar a reforma educacional anunciada pelo governo Temer?

O governo Temer começou com uma série de anúncios sobre seus objetivos: ajuste fiscal, ataques à previdência social e aos direitos trabalhistas. Inovou. Sem aviso, apunhalou a educação pelas costas. Baseada na proposta já discutida pelo governo Dilma, ela vai mais além (ver http://www.marxismo.org.br/content/reforma-do-ensino-medio-brasileiro-educacao-brasileira-em-perigo-0). O irônico disso tudo é que depois de todos os fogos de artificio, luzes e ribalta, cadê a famosa MP Media Provisória? Até o momento (sexta-feira, 23 de setembro de 2016, 9:48h da manhã) a MP não estava no site da Presidência e muito menos nos jornais. No Diário Oficial on-line (http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/core/consulta2.action) nada.  Somente notícias, comentários e análises sobre a MP que foi “assinada”, mas que ninguém viu.

Temos que tirar o chapéu para Temer em uma coisa: se tem algo que ele odeia é professor e faz questão de mostrar isso a todo momento. Na reforma da previdência, além de pretender que os professores trabalhem mais 10 anos, que as professoras trabalhem mais 15, agora quer começar a reforma trabalhista e do serviço público exatamente nas escolas. Contratar pessoas sem qualificação (notório saber: vai virar sinônimo de QI, “quem indica”), sem plano de carreira ou salário definido (aos amigos do rei, tudo, vão ganhar mais que os professores de carreira; os pobres que conseguirem uma vaga destas vão acabar nem ganhando o salário mínimo) e sem concurso. Ou seja, volta o tempo da “república velha”, aonde o funcionário era contratado pela indicação de alguém e não porque prestou um concurso e conseguiu a vaga por seu mérito. Meritocracia agora virou “indicracia”, ou quem sabe “idiocracia”, enfim, idiotas indicados pelos governantes. Mas isto é apenas um aspecto. Tem muito mais nesta reforma anunciada e ainda não concretizada.

A contrarreforma de Temer acaba com Educação Física, Artes e Filosofia nas escolas secundárias. Fala em “escola integral”, mas sem recursos para esportes (acabou as Olimpíadas), bibliotecas, quadros digitais, computadores, tablets e livros eletrônicos.  Expliquemos melhor esta questão: a MP promete recursos durante quatro anos para que os Estados implantem a Escola integral. Mas, depois de quatro anos, os recursos acabam. Além disso, o recurso é previsto para a extensão do período letivo, mas não é previsto para as condições físicas das escolas, que são uma das principais reclamações dos estudantes. Faltam quadras, falta um espaço físico decente, falta aparelho de ar-condicionado para locais com temperatura de 40o C. As escolas aumentam as salas de aula, aumenta o número de alunos por sala de aula, mas não há um recurso mínimo que são microfones e caixas de som para os professores serem ouvidos.

Faltam quadras, equipamentos esportivos, inclusive os mais elementares, como bolas, aquelas coisas que todo mundo fala mas ninguém viu. Esta é a realidade das escolas.

E, diga-se de passagem: a implantação de informática caminha a passos tão lentos, que uma tartaruga anda mais depressa. Hoje, já temos quadros aonde o professor escreve e isso é transcrito diretamente para um arquivo digital que pode ser acessado pelos alunos. Faltam tablets e computadores para os professores, quem dirá para os alunos.

Se é possível um jogo como Pokémon, porque não é possível desenvolver jogos que ensinem? Alias, existem vários. Porque não fazer concursos com alunos e professores para jogos deste tipo? Serão milhares que vão concorrer, serão milhares de alunos que vão aprender fazendo isso. Além dos que vão jogar e aprender. Hoje a informática nas escolas resume-se no máximo a computadores que permitem acessar sites… e mais nada. Resultado: o máximo que acontece são alunos aprendendo a burlar a vigilância eletrônica e acessar Facebook ou site pornô.

Arte então nem se fala. Algum local tem quadras de dança, música além de funk ou qualquer música (não música para acalmar as pessoas ou ensiná-las a fazerem gestos repetidos ao invés de questionarem a realidade aonde estão) deste tipo? Eu já vi um poeta declamar Camões ao ritmo de funk em uma oficina literária. Aonde estão os poetas, os artistas que poderão tirar os alunos da sua mesmice do dia a dia e olharem amanhãs, estrelas e mundos sonhados, que criem sonhos e fantasias e ensinem a confrontar estes sonhos e fantasias com o seu mundo real?

Isto é que falta a escola e vem o sr. Temer cortar o pouco que se tem em nome de “preparar pessoas para o mercado”. Preparar escravos, sem direitos trabalhistas, sem previdência social, sem questionar, que repitam movimentos mecânicos no seu dia a dia.

Escola sem partido? Coitados destes senhores de direita pouco imaginativos. Que tal escola sem escola, sem ensinar nem aprender, nem lições novas nem antigas, aonde sobrarão grades para prender os jovens e adolescentes por 12 horas ao dia? E faltará espaço para ler, brincar, sonhar, jogar e, sobretudo, aprender.

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