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Caráter semi-colonial do Brasil salta uma vez mais, agora com os EUA movendo seu aparato militar para o Brasil. Foto: Tania Rego/Agencia Brasil

A visita de Jim “Cachorro Louco” Mattis

O secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, apelidado pela imprensa de seu país de “mad dog” (cachorro louco) visitou a América do Sul na semana de 13 a 20 de agosto. Na sua visita ao Brasil, Mattis deixou claro a que veio:

“Estamos procurando expandir parcerias onde seja mutuamente benéfico”, disse Mattis. “Sem hesitação, nós vemos a América Latina como nosso vizinho. Algumas pessoas dizem que não prestamos muita atenção nela. Isso certamente não é o caso nas forças armadas. Você não vê grandes formações militares lá, porque a natureza do nosso relacionamento não exige isso.” (Comunicado da Embaixada dos EUA no Brasil).

Ou seja, as Forças Armadas dos EUA prestam muita atenção ao que acontece no Brasil. Mas não é só no Brasil. Elas prestam atenção a todo o mundo, se olharmos as bases americanas no mundo inteiro (170). Recentemente, os EUA voltaram a firmar um acordo militar com o Equador, já tem um acordo com a Colômbia e Mattis disse o que espera do Brasil na situação atual:

“Vemos ações desestabilizadoras vindas da Venezuela, com uma resposta adequada do Brasil. Estamos ao lado do povo da Venezuela, que por meio de um regime opressivo forçou tantos refugiados a buscar o Brasil, a Colômbia e outros lugares”, afirmou Mattis, depois de elogiar ações militares brasileiras com vistas à paz no Haiti, no Líbano e na África. (Estadão, 14/08/18).

Ou seja, Mattis tem claro o que fazer, elogiando as ações militares brasileiras em outros países e dizendo que o Brasil tem uma “resposta adequada” as ações da Venezuela. Ao contrário do que alguns analistas dos jornais burgueses relatam, a visita de Mattis tem o objetivo de retomar os laços militares com o Brasil e, mais que isso, prepara politicamente uma intervenção militar na Venezuela. Se esta tem condições de prosperar ou não, é outra história.

Mattis tem consciência que a crise política que atravessam os países da America do Sul podem se precipitar com esta política. Por isto, apesar do seu apelido, ele mede com muito cuidado todas as palavras, para evitar o aumento da crise. Se o novo governo do Chile não consegue estabilizar um corpo fixo de Ministros (o ultimo foi obrigado a renunciar em 4 dias, por seus elogios a ditadura de Pinochet), se o governo Macri segue em crise pelas questões econômicas e tendo que recorrer ao FMI e aumentar brutalmente os juros e tarifas de serviços públicos, uma intervenção militar apoiada politicamente por Temer, Macri e Piñera do Chile poderia ser mais um elemento de desestabilização política que varreria todo o subcontinente. Por isso o cuidado nas palavras.

O peso do imperialismo americano

O jornal Estado de São Paulo publicou no dia 12.08 uma série de reportagens sobre as bases americanas no mundo inteiro. O Pentágono é elogiado por pagar em dias suas contas pelo aluguel do espaço das bases e por ser um inquilino fiel. Tão fiel que nunca abandona uma base depois de ocupa-la. Esta, na verdade, é uma política que foi estendida ao mundo inteiro após a II Guerra Mundial, quando foram estabelecidas as principais bases americanas fora dos EUA no mundo inteiro.

O Estadão, na verdade, não relatou que os EUA já perderam bases. Por exemplo, quando foram derrotados no Vietnam, perderam as bases que lá tinham. Mas são raros estes exemplos.

As principais bases estão na Ásia e na Europa. A maior delas, nos diferentes sites de análise, localiza-se em Okinawa, uma das ilhas do arquipélago que constitui o Japão. Estabelecida em 1945, ampliada nos anos seguintes, é adorada pelo governo central japonês por seus aportes financeiros ao governo e odiada pelo povo da ilha. Seus soldados, frequentemente, são acusados de crime, inclusive de estupro, mas não são julgados pelos japoneses, e sim pela justiça militar dos EUA.

Outras bases grandes estão na Alemanha e no Qatar. Além disso, existe a base de Guatanamo em Cuba. O total de bases estimadas no exterior varia de 170 (número utilizado pelo Estadão) até várias centenas. É difícil de estimar, pois existem bases de variados tamanhos e variadas capacidades. Algumas estão registradas como bases da OTAN, mas na verdade são usadas exclusivamente pelos EUA.

Agora, com o estabelecimento de uma “nova Arma” (além do Exercito, Marinha, Aeronáutica e Fuzileiros navais), a “Espacial”, os EUA procuram novas bases aonde poderão fazer lançamentos e controles de seus satélites e, quem sabe, de bombas em órbita ou contingentes armados espaciais. A inventividade é tudo, quando se trata de gastos militares. E ai entra a base de foguetes de Alcantara.

Como convém, nestes casos, o pedido “partiu do Brasil” que quer cooperação neste campo. Mas, o uso da base não seria para “fins pacíficos”? o Congresso Nacional já rejeitou um acordo para uso militar da base com os EUA. E agora, o enfraquecido governo Temer vai assinar um acordo para tal? Quando aumenta a pressão dos EUA para a guerra com a Venezuela?

A posição dominante do imperialismo Americano após a II Guerra não tem paralelo na história. Mas a luta da classe operária e da juventude é mundial. A manutenção das bases americanas fora dos EUA, a construção de uma base espacial militar no Brasil, só interessa a burguesia americana e, secundariamente, a um setor da burguesia brasileira. A Esquerda Marxista denuncia mais esta mostra da prepotência e arrogância dos EUA e de sua classe dominante e convida a toda a juventude e classe trabalhadora do Brasil, da America do Sul e dos EUA a lutar contra a extensão dos acordos e bases militares dos EUA com os países da América do Sul.

Editorial do jornal Foice&Martelo 122, de 17 de agosto de 2018. Confira a edição atual aqui.

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