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A tática Black Bloc e o movimento operário

A grande imprensa utilizou as ações de pequenos grupos no ato em Brasília de 24 de maio para tentar justificar a brutal repressão policial ocorrida, enquanto as centrais sindicais que dirigiam o movimento disseram que não tinham relação com essas ações e indicavam as forças de repressão para coibir tais atividades. Convocar o aparelho de estado burguês para reprimir manifestantes, mesmo que equivocados, é um evidente absurdo.

O fato de uma parcela da juventude se distanciar dos métodos do movimento operário tem relação direta com a traição das direções reformistas de partidos e sindicatos, que, inclusive, não organizam serviços de ordem para a defesa dos manifestantes. Uma parte dos jovens acaba se contrapondo a qualquer tipo de direção no movimento, aproximando-se das ideias do anarquismo, dentre estes um setor adere às chamadas “ações diretas” com ataques a “símbolos do capitalismo” (bancos, edifícios públicos, lojas de grandes marcas, etc.). É o que ficou conhecido, no Brasil principalmente a partir das Jornadas de Junho de 2013, como a tática Black Bloc.

O fato de agirem com máscaras facilita ainda a ação de policiais infiltrados, que se passam por integrantes do movimento e realizam provocações que, depois, são utilizadas para justificar a iniciativa da repressão policial contra a manifestação.

A ação direta de pequenos grupos não contribui para atrair mais parcelas da classe trabalhadora para a luta política. É preciso combater a capitulação e os métodos burocráticos das direções conciliadoras, mas isso não significa jogar fora toda a tradição de luta do movimento operário, nem lançar-se à aventura.

A classe trabalhadora deve retomar sua tradição de autodefesa, com serviços de ordem organizados por partidos e sindicatos para fazer frente à repressão policial. Em uma manifestação proletária, caso pequenos grupos ajam à revelia, consiste em uma tarefa do movimento acionar seu serviço de ordem para remover os grupos ou indivíduos que desrespeitem as decisões coletivas. Esses são os métodos proletários de combate.

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