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A polêmica das células-tronco

Um véu medieval católico tenta cobrir a face do Brasil. Em 05/03/08, o Supremo Tribunal Federal vai julgar o pedido de inconstitucionalidade da Lei de 2005 que permite o uso de células tronco para pesquisas.

Em mais um caso a ciência se vê limitada pelo misticismo religioso. No ano de 2005 foi aprovada a Lei de Biossegurança, um dos seus artigos permitia a utilização de células-tronco de embriões para pesquisas. O ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles, apoiado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), entrou com ação de inconstitucionalidade, alegando o artigo que consagra o direito à vida e o artigo que garante a dignidade humana. Desde então as pesquisas estão proibidas, na próxima quarta-feira (05/03) o Supremo Tribunal Federal julgará a questão.

Tal fato nos faz lembrar da época da inquisição, quando o grande cientista Galileu Galilei teve que renunciar à sua teoria de que o planeta Terra girava em torno do Sol, tendo que concordar com a igreja católica que afirmava o contrário, para não morrer queimado em uma fogueira.

Temos que lembrar também que se dependesse da permissão da igreja católica, o uso de preservativos e anticoncepcionais estaria proibido, as portas estariam escancaradas para o alastramento de doenças sexualmente transmissíveis (como a AIDS), e também para mais casos de gravidez indesejada.

O caso do posicionamento contrário da igreja à liberação das pesquisas com células-tronco de embriões é um grande absurdo. A lei permitia somente a pesquisa com embriões resultantes da fertilização in vitro, congelados há mais de três anos, e que não seriam mais utilizados para a reprodução, ou seja, nunca foram e nunca serão implantados em um útero, nunca serão seres humanos!

É essa “vida” que a igreja quer salvar, uma “vida” sem sentimento, sem pensamento, sem sensibilidade, pois não há atividade nervosa nesses embriões, ela só começa a ocorrer por volta do 14º dia após a fecundação. Com essa posição a igreja dá as costas à vida de doentes que poderiam se beneficiar com essas pesquisas.

As células-tronco embrionárias são diferentes das células-tronco de um adulto, por poderem se transformar em diferentes tecidos do corpo humano. As possibilidades de descobertas com as pesquisas utilizando as células-tronco embrionárias vai desde a cura da Diabete até a possibilidade de fazer pessoas que ficaram paraplégicas em um acidente voltarem a andar, passando também pela cura da distrofia muscular e da doença de Parkinson.

A igreja está muito bem acompanhada em sua posição por um grande político internacional, de inteligência singular, o Sr. George W. Bush, presidente dos EUA, que se mostrou contrário à liberação desse tipo de pesquisa em seu país.

Se hoje o avanço da ciência e da medicina encontra-se preso pelo sistema capitalista (a economia de mercado que visa apenas o lucro e o Estado nacional), a igreja consegue se superar, impondo uma ideologia que só pode ser considerada medieval, de tão conservadora, e que vem conseguindo impedir o avanço da ciência. Tal fato só nos demonstra a limitação e a decadência do próprio capitalismo.

Em um Estado socialista, aos poucos, todo o misticismo, o moralismo religioso, desapareceriam. Não haveria mais necessidade de crer em um paraíso após a morte, pois construiríamos uma boa sociedade sobre a Terra. Nesse Estado, a ciência e a cultura se desenvolveriam a largos passos, libertando-se das amarras medievais e capitalistas. Faríamos o que é melhor para a felicidade e a saúde de todos os seres humanos. Essa é a sociedade que precisamos construir!

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