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A merecida vitória da Vila e o enredo exaltador do agronegócio

 

Sob o título “A vitória da ‘Vila’, a derrota de Martinho”, o BRASIL DE FATO postou dia 18/02/2013 leia-o aqui http://www.brasildefato.com.br/node/12008 texto de coautoria do compositor-bamba Luiz Carlos Máximo e Sérgio J Dias criticando o patrocinado enredo campeão 2013 da escola de samba Vila Isabel intitulado “Brasil, celeiro mundo… Água no feijão que chegou mais um” desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães cujo samba-enredo é da parceria de cinco compositores, dentre eles, Martinho da Vila. Curiosamente, o enredo e o samba-enredo acabaram ganhando três notas 10 e uma nota 9,8 dos julgadores e julgadoras da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA).

Sob o título “A vitória da ‘Vila’, a derrota de Martinho”, o BRASIL DE FATO postou dia 18/02/2013 leia-o aqui http://www.brasildefato.com.br/node/12008 texto de coautoria do compositor-bamba Luiz Carlos Máximo e Sérgio J Dias criticando o patrocinado enredo campeão 2013 da escola de samba Vila Isabel intitulado “Brasil, celeiro mundo… Água no feijão que chegou mais um” desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães cujo samba-enredo é da parceria de cinco compositores, dentre eles, Martinho da Vila. Curiosamente, o enredo e o samba-enredo acabaram ganhando três notas 10 e uma nota 9,8 dos julgadores e julgadoras da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA).

Preliminarmente, em suas obras “Literatura e Revolução” e “Testamento de Sambista” o revolucionário russo Leon Trotsky (1879-1940) e o imortal sambista-compositor-poeta portelense Mestre Candeia (1935-1978) ensinaram respectivamente: “O compromisso de artistas e poetas é com a produção de obras com excelência na qualidade + O sambista não precisa ser membro da academia, é natural que com sua poesia, o povo o faça imortal”. Então, os dois autores do texto crítico, Sérgio J Dias, mormente o compositor-bamba portelense Luiz Carlos Máximo, não se ligaram nos ensinamentos de Trotsky e de Mestre Candeia. Refiro-me a essas questões específicas, relevantes e estratégicas:

Em 1º lugar, considero equivocado reivindicar de enredo patrocinado por multinacional do agronegócio no privatizado Carnaval Carioca, de fato, o maior espetáculo da Terra, mas, globalizado show (artístico-cultural) business desenvolvido pela campeoníssima e conservadora carnavalesca, Rosa Magalhães, viesse falar das lutas do MST, das comunidades remanescentes em quilombos pela titulação e ou dos povos indígenas por demarcação de terras. Em 2º lugar, também é equivocado cobrar que essas corretas reivindicações estivessem na letra do samba-enredo da Vila Isabel. Dado que, nenhum dos cinco compositores parceiros – mesmo Martinho – tem isso em suas obras.              

Inúmeras vezes campeão de sambas-enredo na Vila, o compositor André Diniz só em 2006 participou de parceria com letra assim. Já o compositor Leonel não. Assim como o filho de Martinho, Tunico da Vila. Inclusive os consagrados e bem-sucedidos compositores-bambas e granaleiros (escravizados pela milionária grana de direitos autorais da gravadora da LIESA) Martinho da Vila e Arlindo Cruz. Este, aliás, sempre concorre com samba, sendo vencedor em diversas agremiações além daquela que diz ser a do coração, Império Serrano. Para ilustrar: Em 2010 o presidente da agremiação de Noel Wilsinho idolatrou Martinho da Vila e impôs praticamente sem disputa o samba-enredo de autoria dele.

Diga-se passagem, na oportunidade, o enredo cultural e não patrocinado assim como o samba-enredo tiveram excelência na qualidade, cujo título foi “Noel: A presença do poeta da Vila”. Porém, em 1997 isso não ocorreu. Ou seja, embora o samba de Martinho da Vila também fosse bom, o então presidente e atual presidente de ‘honra’ da agremiação de Noel ‘Moisés’ devendo uma grana preta ao tráfico, se viu obrigado a definir como samba-enredo um de melhor qualidade, o de autoria do compositor J. C. Couto intitulado “Não deixe o samba morrer”. À época esse episódio foi fartamente noticiado pela imprensa como: “O ano em que Martinho da Vila perdeu a disputa de samba-enredo”.

Embora os sambas-enredo de autoria de Arlindo Cruz e Martinho da Vila tenham sempre excelência na qualidade, nunca tiveram letra considerada politizada e crítica. Os dois sambas-enredo anteriormente campões da Vila Isabel em 1998 intitulado “Kizomba – a festa da ‘raça” e o de 2006 cujo título foi “Soy loco por ti América, a Vila canta a latinidade” citados por Sérgio J Dias e pelo compositor Luiz Carlos Máximo, tem as seguintes parcerias: O de 1988 é de coautoria dos compositores Luiz Carlos da Vila, Jonas e Rodolfo. Já o de 2006, ainda que o presidente de honra da agremiação de Noel fosse Martinho da Vila, a parceria foi a dos compositores Serginho 20, Carlinhos do Peixe, André Diniz e Carlinhos Petisco. 

No texto “A vitória da Vila, a derrota de Martinho” faltou coerência a Sérgio J Dias e a Luiz Carlos Máximo, este coautor do único samba-enredo 2013 que obteve nota 10 unânime dos julgadores da LIESA intitulado “Madureira – onde o meu coração se deixou levar”. Afinal, tetra campeão de parcerias na Portela: 2009 “E por falar em amor, onde anda você”, em 2010 “Derrubando fronteiras, conquistando liberdade… Rio de paz em estado de graça”, em 2011 “Rio – azul da cor do mar” e em 2012 “Bahia: E o povo na rua cantando… É feito uma reza, um ritual”, este também nota 10 unânime dos julgadores da LIESA, o compositor-bamba Luiz Carlos Máximo não teve a máxima atenção. Afinal, ele nunca compôs samba-enredo politizado e crítico.

*jornalista – é torcedor-amante da Portela a Majestade do Samba.

 

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