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A luta por um partido de classe no Brasil guiou segundo dia do Seminário da Esquerda Marxista

Os participantes do Seminário da Esquerda Marxista debateram nesta sexta-feira (22/04) o tema “Nossa luta por um partido de classe no Brasil”. Serge Goulart abriu a discussão abordando uma perspectiva histórica sobre a questão em escalas nacionais e internacional. O informe também girou em torno dos desafios colocados pela atual conjuntura brasileira. A teoria e a firmeza programática foram outros aspectos enfatizados durante o evento, aspectos que visam fortalecer a organização revolucionária frente às pressões advindas da pressão burguesa.

Os participantes do Seminário da Esquerda Marxista debateram nesta sexta-feira (22/04) o tema “Nossa luta por um partido de classe no Brasil”. Serge Goulart abriu a discussão abordando uma perspectiva histórica sobre a questão em escalas nacionais e internacional. O informe também girou em torno dos desafios colocados pela atual conjuntura brasileira. A teoria e a firmeza programática foram outros aspectos enfatizados durante o evento, aspectos que visam fortalecer a organização revolucionária frente às pressões advindas da pressão burguesa.

Relacionando o contexto do país com as tarefas históricas para uma revolução social vitoriosa, Serge destacou como tarefa fundamental separar a classe trabalhadora das forças sociais burguesas. Para isso, faz-se necessário um combate para eliminar as confusões políticas e teóricas propagadas pelos reformistas de várias colorações, que buscam sempre esmagar a consciência de classe entre as massas. Como exemplo, abordou a diferença entre o programa do Partido dos Trabalhadores (PT) de 1979 e o defendido hoje pelos dirigentes petistas.

De acordo com o militante marxista, atingir esse objetivo adquiriu condições mais propícias com o direcionamento das disputas políticas para as ruas, por iniciativa da própria burguesia brasileira por meio do processo de impeachment aprovado em 17 de março na Câmara dos Deputados. Essa circunstância fortalece a possibilidade de reestabelecer uma consciência de classe do proletariado em um nível superior ao vivido no período de surgimento do PT. Isso porque esse processo pode se dar em um estágio superior, a partir da experiência vivida com a política dos reformistas, da expansão e consolidação dos sindicatos e da formação da Central Única dos Trabalhadores.

Para ajudar a classe trabalhadora a agir de forma independente por seus próprios interesses, Serge explicou que os marxistas intervêm em todos os processos de resistência e de luta buscando fazer com que tenham o melhor desenvolvimento, rumo à formação de um partido de classe independente, apontando a necessidade de uma Assembleia Popular Nacional Constituinte. Para isso, faz-se fundamental agir no movimento real da classe trabalhadora. E o êxito desse objetivo depende da capacidade dos revolucionários marxistas conseguirem atrair para seu programa político cada vez mais militantes e ativistas, ao ponto de estarem em condições de tornarem-se um fator objetivo dos processos políticos.

Abordando a construção de um partido operário de um ponto de vista histórico, o ponto de partida foi a constituição da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), também conhecida como 1ª Internacional. Serge Goulart ressaltou o trabalho de Karl Marx e Friedrich Engels em seu interior, o qual se deu junto a grupos muito confusos em suas linhas teóricas e conclusões práticas para a luta de classes. Contudo, ela cumpriu o importante papel de, pela primeira vez, os trabalhadores diferenciarem seus interesses dos da burguesia enquanto classe.

Com o balanço da experiência da Comuna de Paris, a AIT entrou em uma crise interna e acabou por se dissolver. Com as lições da derrota dos franceses, Marx e Engels concluíram que, para intervir vitoriosamente no momento é preciso uma homogeneidade política do partido que intervém na realidade. Por isso, os dois camaradas criticaram a fusão realizada na Alemanha entre os partidários de Ferdinand Lassalle e os militantes de Eisenach, que constituiria posteriormente o Partido Socialdemocrata da Alemanha, considerando que a união havia se dado de modo oportunista, já que os adeptos do socialismo científico aceitaram realizar a fusão com base em um programa que rebaixava seu programa político.

Para aprofundar a discussão da relação entre classe, partido e direção, o camarada Serge resgatou a experiência da Revolução Francesa, a qual viveu uma guinada cada vez mais à esquerda da burguesia revolucionária. Nela, os processos sociais em curso foram testando e descartando as direções dos partidos políticos e, nesse desenvolvimento, forças que até então eram minoritárias e desacreditadas passaram a ganhar cada vez mais relevância, até o ponto de alcançar a direção do movimento político e aplicar suas posições.

Outros exemplos também explicitaram os processos diversos que constituíram e, também, que degeneraram partidos operários independentes ao longo da história por todo o mundo: Partido Bolchevique e Menchevique, na Rússia; Liga Espartaquista, na Alemanha; rupturas e fusões de partidos e organizações durante a Guerra Civil Espanhola; Partido Comunista, na Itália; e também o Partido dos Trabalhadores no Brasil, até sua recente falência política.

O debate “Nossa luta por um partido operário no Brasil” concluiu o Seminário da Esquerda Marxista, que ocorreu dias 21 e 22 de abril, em Barra do Sul.  Ele foi precedido por outra plenária com o tema “A luta contra o oportunismo”. O evento antecedeu o 5º Congresso da Esquerda Marxista, que ocorre de 23 a 24 de abril, e que terá como missão central abordar as tarefas dos marxistas diante da nova situação aberta com a aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

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