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A história da biografia inacabada de Stalin, escrita por Leon Trotsky

Nota da redação: Livro inédito de Trotsky que analisa a vida e a trajetória política de Stalin lançado em 2016 em inglês será lançado no Brasil em português pela Editora Marxista e a Editora Movimento em outubro deste ano, em comemoração ao Centenário da Revolução Russa.

O Stalin de Leon Trotsky foi encomendado pela editora de Nova Iorque, Harper & Brothers, em fevereiro de 1938 e publicado pela primeira vez em Inglês em 1946. Um ano mais tarde, em 1947, foi publicado em Londres pela Hollis & Carter. Stalin foi o último livro importante de Trotsky, sobre o qual ele trabalhou nos anos finais de sua vida. No entanto, a vida de Trotsky foi encurtada por um assassino stalinista em 20 de agosto de 1940 e o livro nunca foi concluído.

Enquanto Trotsky trabalhava no livro, o manuscrito de cada capítulo de Stalin, originalmente ditado em russo, era traduzido ao inglês por Charles Malamuth. Após o seu assassinato, os manuscritos inacabados, sob instruções da editora, foram entregues a Malamuth, não somente para tradução, mas também para editar a obra para publicação.

Aqui está um vídeo de um dos editores britânicos contando a história da recuperação dessa obra inédita de Trotsky (em breve com legendas em português):

Independentemente dos talentos de Charles Malamuth, esta era uma tarefa política para a qual ele era completamente inadequado. Quando o livro foi finalmente publicado, a nova versão “editada” continha grandes fragmentos de material inseridos pelo editor, que flagrantemente violavam o pensamento político de Trotsky. Apesar dos protestos indignados da viúva de Trotsky, Natalia Sedova, o material ofensivo foi preservado pelos editores. Em certas edições, Natalia expressou suas objeções no prefácio ao livro:

Capa da edição inglesa do livro que este ano sai em português.

“As frases inseridas ao longo deste livro por Charles Malamuth são de sua exclusiva responsabilidade. Ele foi contratado para fazer esse trabalho por Harper & Brothers, os editores da edição estadunidense desse livro, e não por Natalia Trotsky, viúva de Leon Trotsky. Essas inserções não foram verificadas por qualquer pessoa que pudesse alegar ter sido colaboradora de Leon Trotsky e, portanto, devem ser consideradas como apenas expressando as ideias de Malamuth, que é um oponente político de Trotsky.”

O principal motivo para a republicação desta edição recém-expandida de Stalin de Trotsky é corrigir esta violação e inserir o material que foi excluído pelo editor. O projeto de republicação do Stalin original de Trotsky nesta forma atualizada requereu mais de uma década de construção. O volume remove as inserções políticas de Malamuth, que equivalem a mais de 10 mil palavras, e restaura o manuscrito original a partir do material não-publicado depositado nos arquivos de Trotsky na Universidade de Harvard.

Esta nova edição é a mais completa jamais publicada em qualquer idioma, inclusive em inglês ou russo, e aumentou de tamanho em comparação à versão original do livro em mais de 30%. Representa o trabalho mais extenso já realizado para “reconstruir” o livro e inclui aproximadamente 100 mil palavras a mais do que a edição original de 1946.

Malamuth explicou que tinha deixado íntegros os sete primeiros capítulos, “exceto por pequenas supressões de material repetitivo”. Tomamos a liberdade de restaurar este material “repetitivo” da melhor maneira possível, cuja posição no texto é indicada para o leitor. Os pontos onde começam e terminam essas inserções estão marcados com um asterisco: “*”.

Na segunda metade, em vez de seguir a arrumação de Malamuth, escolhemos a nossa, acompanhando a cronologia dos acontecimentos. A edição desse material para garantir o máximo de continuidade foi realizada por Alan Woods, que também traduziu a maior parte do material russo. Onde os fragmentos do texto requerem frases conectivas ou explicações mais longas, as palavras do editor são indicadas entre colchetes: “[…]”. As partes menores do livro, que eram resumos das notas de Trotsky realizados por Malamuth, foram conservadas para a continuidade e se distinguem do corpo principal do texto por colchetes estilizados: “{…}”. Alguns materiais de vários tamanhos, que não puderam ser inseridos facilmente no texto foram colocados separadamente nos apêndices.

Uma mudança adicional a destacar é o nosso tratamento da transição do velho calendário Juliano ao novo calendário Gregoriano, que foi introduzido na Rússia Soviética em 14 de fevereiro de 1918, em meio aos eventos descritos no Capítulo 8. Neste capítulo, usamos as datas de acordo com o calendário Gregoriano, mas as datas do calendário Juliano estão entre colchetes, quando necessário.

Os arquivos de Trotsky

Em 2003, durante uma viagem para fins políticos aos EUA, visitei Boston e aproveitei a oportunidade para visitar os arquivos de Trotsky na universidade. O impressionante arquivo em Harvard é por si só um tesouro político que preenche 172 caixas de manuscritos e compreende a correspondência de antes e depois do exílio de Trotsky, artigos, documentos de trabalho, fotografias e notas, a saber, todos os documentos mais significativos de sua vida política extremamente rica. Trotsky, que era extremamente meticuloso, fez cópias de quase tudo que escreveu. Só do período entre 1929 e 1940, que cobre os seus anos de exílio da União Soviética, o arquivo contém uns 20 mil documentos, incluindo cerca de 4 mil cartas. Trotsky havia concordado que o material seria despachado para Harvard para sua manutenção segura. “Os arquivos estão saindo [para os EUA] amanhã de trem”, escreveu Trotsky em 17 de julho de 1940, cerca de um mês antes de seu assassinato1.

Depois de preencher os formulários necessários, levaram-me à sala de leitura da Biblioteca Houghton. Ao visualizar o prospecto, fiquei atônito com a grande quantidade de material contida no arquivo. Decidi examinar o material relativo à Grã-Bretanha e em seguida à África do Sul, como parte de minha pesquisa sobre a história do Trotskismo britânico. Depois disso, comecei a vasculhar os arquivos de forma mais ou menos aleatória devido ao tempo limitado à minha disposição e ao escopo da coleção. Depois de passar os olhos em diferentes direções, minha atenção foi atraída para o material sobre o último livro de Trotsky – Stalin. Para minha surpresa, descobri que havia nove grandes caixas de manuscritos no arquivo, os Manuscritos Harper (itens H1-H28), contendo todos os materiais preparatórios para o livro sobre Stalin. Estes continham todos os arquivos originais, os rascunhos, as provas tipográficas, recortes de jornais e notas, escritas à mão e datilografadas, bem como certo número de caixas contendo todas as traduções de Charles Malamuth ao inglês dos originais russos de Trotsky.

A primeira coisa que surpreende sobre a coleção Stalin são as diferentes camadas, montadas como estratos geológicos, que foram utilizadas para produzir a primeira metade do livro, ou seja, até 1917 inclusive. Os primeiros rascunhos continham textos escritos à mão e datilografados, os segundos eram completamente datilografados, traduzidos e, em seguida, enviados de volta a Trotsky para posterior correção, edição e polimento. Trotsky certamente sentia uma enorme satisfação no trabalho de “polimento” de seus escritos, bem como na busca de melhorar as traduções inglesas, para que o significado fosse o mais preciso possível.

Minha primeira visita a Harvard apenas identificou o que havia ali. Nas visitas subsequentes, pedi para ver todo o arquivo sobre Stalin, que me foi entregue na sala de leitura em um carrinho grande. Os arquivos contendo os materiais estão acondicionados em grandes caixas de arquivo e numerados em pastas separadas (bMSRuss 13.3) H1H28. Contêm também todos os recortes de jornal e vários materiais que foram traduzidos ao inglês, mas não utilizados na edição final do livro, incluindo os rascunhos originais, mantidos nas pastas H14-H19.

Junto ao material escrito à mão encontra-se uma cópia datilografada, com vários sublinhados em lápis vermelho. Várias adições estavam coladas no texto. Há inúmeras linhas escritas por Trotsky mudando a ordem das frases, denunciando sua meticulosa atenção aos detalhes. O trabalho está dividido em capítulos numerados, pelo menos para a primeira parte do livro. O que realmente impressiona é a quantidade colossal de edição que Trotsky efetuou, com cruzamentos em lápis e tinta azul, até que ele ficasse satisfeito com a versão final. Fica claro que ele era rigoroso com os detalhes. Algumas das cópias de provas estavam coladas folha a folha para produzir uma tira contínua e extremamente longa.

Dada a escassez de papel no México nessa época, o manuscrito original está escrito em papel de diferentes qualidades – desde folhas de 90g até papel mais frágil, do tipo à prova de graxa – contendo também textos datilografados e escritos à mão. Alguns estavam em espaço duplo e outros em espaço simples. Há textos em diferentes idiomas: russo, alemão, francês, inglês e espanhol.

Charles Malamuth

A primeira parte de Stalin trata de maneira magistral o papel do indivíduo na história, traçando a evolução de Stalin desde jovem seminarista a revolucionário profissional nos anos anteriores à Revolução de 1917. No entanto, a segunda parte inacabada, que, mesmo na edição mutilada publicada, contém material extremamente interessante, foi prejudicada pelas adições introduzidas por Charles Malamuth. Não se tratava simplesmente de material de ligação, como ele assegurou, mas era composto de fragmentos inteiros de texto em certos capítulos que claramente contradiziam a linha política do livro.

Quando a viúva de Trotsky, Natalia Sedova, e o advogado de Trotsky, Albert Goldman, tiveram conhecimento do texto, opuseram-se veementemente à publicação do livro sob essa forma vulgarizada. Esteban Volkov, neto de Trotsky, também tentou sem êxito evitar a republicação do livro. Cinco anos após a morte de Natalia, Esteban, junto com o Dr. Adolfo Zamora, que fora representante de seu avô, procurou impedir a publicação da edição da Stay & Day, em 1967, que continha um prefácio do infame Bertram D. Wolfe. Mas sem êxito.

Charles Malamuth era um professor assistente de línguas eslavas na Universidade da Califórnia. Ele passou um ano, em 1931, na União Soviética como correspondente de imprensa para a United Press International. Era um período de agitação na Rússia com a coletivização forçada da agricultura de Stalin e a campanha para completar o primeiro Plano Quinquenal em quatro anos. Malamuth testemunhou em primeira mão a repressão de Stalin contra a Oposição de Esquerda, que se encontrava em pleno andamento. No início de janeiro de 1932, em seu retorno aos EUA, ele escreveu duas cartas, uma para o filho de Trotsky, Leon Sedov, que estava vivendo na Alemanha, e uma segunda à Liga Comunista da América, o nome adotado pelos trotskistas estadunidenses. “Meu ano na Rússia ensinou-me a admirar o Trotskismo mais do que a qualquer outro grupo”, escreveu a Martin Abern, membro importante da Liga, expressando admiração e oferecendo seus serviços ao movimento2.

Apesar dessa admiração pelo trotskismo, ele nunca se integrou à Liga Comunista. Permaneceu como “companheiro de viagem” ou “admirador” dos trotskistas – uma posição que aparentemente manteve durante a década de 1930. Essa opinião sobre ele foi sustentada por John G. Wright, um proeminente trotskista estadunidense, que, em uma carta a Trotsky, em dezembro de 1938, descreveu Malamuth simplesmente como “simpatizante”3.

Nesse período dos anos 1930, o trotskismo tinha virado moda entre certos setores da intelectualidade radical nos EUA. Malamuth fazia parte desse meio. “O trotskismo se converteu em item de uma moda que iria deixar muitas marcas na literatura estadunidense”, escreveu o biógrafo de Trotsky, Isaac Deutscher:

“Entre os escritores, particularmente os críticos, afetados pelo trotskismo, estavam Edmund Wilson, Sidney Hook, James T. Farrel, Dwight MacDonald, Charles Malamuth, Philip Rahy, James Rorty, Harold Rosenburg, Clement Greenberg, Mary McCarthy e muitos, muitos outros.”

Como uma pessoa como Malamuth terminou editando o Stalin de Trotsky? O conhecimento do idioma russo de Malamuth era certamente útil e seu talento foi bem utilizado na tradução de alguns artigos de Trotsky. Trotsky, como veremos, nunca ficou muito impressionado com este jovem “simpatizante” ou com suas habilidades. No entanto, ele necessitava de ajuda e teve que trabalhar com o material que havia à sua disposição.

Em 15 de fevereiro de 1938 (no dia anterior ao assassinato de Leon Sedov, o filho de Trotsky, em Paris), Trotsky foi abordado pela Harper & Brothers, os editores estadunidenses, com uma oferta de 5 mil dólares, a pagar parceladamente, para escrever uma biografia de Stalin. A solicitação também perguntava sobre um possível tradutor para tal projeto. Trotsky, então profundamente chocado com a perda trágica de seu filho, não ficou, em absoluto, interessado na oferta do editor. A morte de Sedov foi um golpe devastador para Trotsky e Natalia, outro ato de vingança de Stalin. Ademais, Trotsky já havia começado a trabalhar em outro livro, no caso, uma biografia de Lênin, cuja primeira parte ele já tinha concluído em novembro de 1934.

Pressionado por sérias dificuldades financeiras, Trotsky finalmente superou sua relutância e aceitou a proposta da Harper & Brothers. Charles Malamuth, que havia traduzido alguns dos escritos menores de Trotsky, estava disponível e, assim, foi-lhe dada a tarefa de traduzir a obra recém-encomendada. Claramente encantado com a perspectiva de uma oferta tão tentadora, Malamuth escreveu em uma carta, “Stalin promete ser um marco em meu trabalho de tradutor”. No entanto, Trotsky, que não ficou totalmente convencido, tinha poucas alternativas dada a falta de tradutores disponíveis do idioma russo. Ademais, havia recebido garantias de que poderia supervisionar pessoalmente e assinar todas as traduções antes de sua publicação.

Esta não era uma questão secundária para Trotsky, que ficara insatisfeito com as traduções anteriores de Max Eastman de seus escritos. Em fevereiro de 1938, em uma carta a Jan Frankel, Trotsky havia exteriorizado essa ansiedade a respeito de Eastman como um possível tradutor de seu livro sobre Lênin.

“Sob todos os pontos de vista, a tradução é fundamental. A História da Revolução Russa, a despeito de seu estilo magnífico, está cheia de erros. E por quê? Porque não tive nenhuma oportunidade de supervisionar a tradução4.”

Ele não voltaria a cometer o mesmo erro.

Começam o trabalho e os problemas

No início de abril de 1938, o trabalho sobre o livro Stalin começou seriamente. Em 26 de abril, Trotsky escreveu a Sara Weber informando-a de que estava “trabalhando agora no livro sobre Stalin”. No entanto, ele encontrara um problema e queria que ela o resolvesse. “Em cada página enfrento a dificuldade da pesquisa sobre dados geográficos, históricos, cronológicos e biográficos etc.”, e então pergunta a ela, “não seria possível encontrar uma velha enciclopédia pré-revolucionária em Nova Iorque?…. A questão é muito importante para mim, porque de outra forma meu trabalho ficará prejudicado a cada passo”.

Dentro de poucos meses, em 7 de julho, Malamuth recebeu o manuscrito em russo do primeiro capítulo da obra, “Família e Escola”, para traduzir. As coisas pareciam andar com muita rapidez. O segundo capítulo foi enviado a Malamuth em 16 de agosto e o terceiro capítulo em 12 de setembro. Mas o trabalho não caminhava tão facilmente devido a várias interrupções. Antes do final do ano, a Harper & Brothers havia interrompido os repasses financeiros a Trotsky com base em que ele estava lento na entrega de partes do manuscrito.

Houve outros problemas com o livro. Sem pedir a permissão de Trotsky, Malamuth mostrou o manuscrito a terceiros, no caso, Max Shachtman e James Burnham, que lideravam uma minoria no SWP (Socialist Workers Party – EUA) que se opunha à análise de Trotsky sobre o caráter da URSS. Quando Trotsky descobriu isso ficou furioso, considerando o incidente como uma quebra de confiança. Trotsky se queixou a Josef Hansen:

“Então, contra todas as minhas advertências, ele [Malamuth] permitiu-se uma condenável indiscrição com meu manuscrito. Protestei. Seu dever elementar seria o de pedir desculpas por seu erro e tudo ficaria em ordem novamente. Também acho que os camaradas Burnham e Shachtman cometeram um erro ao entrar em uma discussão com ele sobre a qualidade do manuscrito sem lhe perguntar se ele tinha ou não minha autorização para lhes dar o manuscrito. Melhor seria que os camaradas Burnham e Shachtman, por sua própria iniciativa, explicassem que eles, junto com Malamuth, cometeram uma indiscrição e seria melhor reconhecê-lo como tal e seguir em frente.”

Nessa carta, Trotsky concluiu sem rodeios:

“Malamuth parece ter pelo menos três qualidades: não conhece o russo; não conhece o inglês; e é tremendamente pretensioso. Duvido que seja o melhor dos tradutores…5.”

Nessas poucas palavras, Trotsky revela uma perspicaz avaliação da pretensão de Malamuth, que ficou amplamente demonstrada pelos acontecimentos subsequentes. No entanto, havia pouca escolha além de continuar a utilizar os seus serviços.

A indignação de Trotsky com essa indiscrição refletia sua profunda preocupação com a segurança e o temor de que o manuscrito de Stalin caísse em mãos erradas. Este era um risco muito real na época. Trotsky estava engajado em uma luta de vida e morte contra os crimes do stalinismo na arena mundial. Stalin estava obcecado por Trotsky e determinado a silenciá-lo. Portanto, ele ordenou aos seus agentes da polícia secreta – a GPU – que se infiltrassem no movimento trotskista e realizassem o máximo de sabotagem.

Os agentes stalinistas já haviam conseguido incendiar sua casa em Prinkipo, quando alguns de seus escritos e documentos foram destruídos. “A GPU vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para pôr suas mãos em meus arquivos”, escreveu Trotsky em 10 de outubro de 19366. Um mês depois, seus arquivos confiados ao Instituto Holandês de História Social foram saqueados em Paris e certos documentos foram roubados. “Para tornar-me impotente diante da calúnia, a GPU está tentando pôr as mãos em meus arquivos, seja por roubo, arrombamento ou assassinato”, declarou Trotsky7.

Mark Zborowski, um agente stalinista, infiltrou o movimento na França e abriu caminho para ganhar a confiança de Leon Sedov. Os russo-falantes eram escassos e o movimento necessitava desesperadamente de ajuda. Afinal, ele chegou para ajudar na edição do Boletim da Oposição em Paris. Zborowski, cujo nome de partido era “Etienne”, logo teve acesso ao cofre que continha a correspondência entre Sedov e Trotsky. Usando de sua posição, ele regularmente transmitia informações sobre Trotsky à inteligência soviética, que então as repassava a Stalin pessoalmente. Foi Zborowski quem assegurou que cópias dos escritos de Trotsky fossem colocadas na mesa de Stalin antes mesmo que fossem publicados. Stalin lia cada número do Boletim da Oposição, dando atenção especial aos artigos sobre ele próprio.

Trotsky temia que, através do roubo ou por outros meios, os agentes de Stalin tentassem roubar ou destruir os rascunhos. Portanto, foram tomadas todas as precauções para mantê-los seguros. Esses temores eram bem-fundados. Quando Stalin foi informado sobre o novo trabalho de Trotsky, ficou furioso e disposto a fazer o possível para evitar sua publicação.

Durante 1939, Trotsky dedicou-se ao livro Stalin, mas enfrentou mais interrupções, em particular a necessidade de abandonar a casa de Diego Rivera, em maio, na esteira do rompimento de Rivera com o trotskismo, e, em seguida, a ação judicial sobre a custódia de seu jovem neto, Sieva (Esteban Volkov). Sieva devia deixar a Europa e se instalar em sua nova casa com Trotsky e Natalia na Cidade do México, em 6 de agosto de 1939.

O assassinato de Trotsky

Em abril de 1940, no momento da primeira tentativa de assassinato de sua vida, metade do livro havia sido concluída (até 1917) e o restante do livro se encontrava em várias etapas de conclusão. O livro então ficou na espera, com o trabalho quase completamente substituído pelos depoimentos legais necessários à investigação do ataque, bem como pelos tribunais mexicanos. Trotsky também teve que responder a uma campanha contínua de mentiras e calúnias dos jornais stalinistas no México e no exterior, que intensificavam os seus ataques verbais.

No momento do assassinato de Trotsky em 20 de agosto, o livro ainda se encontrava apenas parcialmente concluído, com uma grande quantidade de material permanecendo na forma de rascunho em diferentes estágios de preparação. Trotsky conseguiu rever os primeiros sete capítulos originais do livro em russo, assim como “Três Conceitos da Revolução Russa”, contido agora nos apêndices. Ele conseguiu revisar a tradução em idioma inglês dos primeiros seis capítulos, mas não teve a oportunidade de revisar o sétimo.

Uma série de mitos circularam sobre o livro Stalin, principalmente através do próprio Charles Malamuth. Malamuth inventou o enredo de que, no ataque de agosto, alguns dos manuscritos do Stalin ficaram salpicados de sangue e outros completamente destruídos. Ele repete isso em seu prefácio ao livro:

“Alguns dos manuscritos da parte inacabada estavam no escritório de Trotsky, amarrados em tiras extremamente longas de muitas folhas coladas de ponta a ponta, no momento em que foi atacado, e, na luta com o assassino, partes do manuscrito não só ficaram salpicadas de sangue como também foram completamente destruídas.”

Não há nenhuma evidência nos arquivos de Trotsky em Harvard que apoie essa afirmação. Havendo examinado cada página do material original do Stalin, incluindo as longas tiras coladas de ponta a ponta, posso dizer com segurança que não há nenhuma evidência de manchas de sangue ou de qualquer outra coisa que pudesse apoiar esse conto de fadas. Nenhum dano pode ser visto. A fotografia policial do escritório de Trotsky após o assassinato mostra alguns jornais espalhados pelo chão durante a luta, mas não há nenhum sinal de quaisquer longas tiras de provas tipográficas “salpicadas de sangue”. Claramente, Charles Malamuth inventou essa narrativa para dramatizar tudo e, assim, elevar o seu próprio papel no “resgate” do manuscrito de Trotsky. Este não é o único exemplo do comportamento inescrupuloso de sua parte.

Após a morte de Trotsky, os editores estadunidenses, que possuíam os direitos sobre o livro, colocaram Malamuth no comando, não só da tradução, mas também da “edição” do livro final. Para eles, isso era simplesmente um tratamento comercial para salvar o livro após a morte do autor. Os pontos de vista de Trotsky não entravam em seus cálculos. Poucos dias após o assassinato, Malamuth perguntou sobre o manuscrito a Josef Hansen, secretário de Trotsky no México. Em sua resposta, quatro dias após a morte de Trotsky, Hansen descreve a situação muito difícil na casa:

“Cidade do México, 25 de agosto de 1940

A Charles Malamuth

Todos estamos aflitos e muito tristes.

Ainda não fomos autorizados a entrar no escritório para ver o que Trotsky tinha deixado na forma de escrito final. No entanto, ele gastou, no período desde 24 de maio até o segundo atentado, todo o seu tempo quase exclusivamente em seu depoimento ao tribunal.

No sábado antes deste último atentado ele me disse que estava agora praticamente concluindo esse trabalho e que poderia voltar ao livro sobre Stalin. Creio que ele esperava começar as páginas finais de seu livro no dia 22.

Naturalmente, tentaremos verificar, assim que o tribunal remover o lacre de seu escritório, se há algo mais que possa ser adicionado ao livro. Suponho que Harper procederá sua publicação imediatamente, em vista do fato de que o livro estava quase concluído. LD8 disse-me em dezembro passado que, no momento, a parte principal do livro estava completa e que tudo o que restava era o período da Oposição de Esquerda.

Joe Hansen”

A avaliação de “quase concluído” é obviamente um exagero, mas Hansen não o podia saber. Trotsky certamente estava ansioso por se livrar dos assuntos legais do atentado de 24 de maio e se dedicar ao seu “trabalho real”, no caso, sua biografia de Stalin. Mas ela ainda exigiria alguns meses de trabalho para terminar. Ele estava ansioso para retomar o trabalho sobre o seu “pobre livro”, depois de um longo intervalo, em 22 de agosto de 1940, como sugere Hansen – um dia depois de seu assassinato. Tal era o plano de Trotsky que acabou não se realizando.

O que se segue é um interessante informe de Jean van Heijenoort, um dos secretários de Trotsky, datado de 14 de outubro de 1940, sobre a parte dos arquivos relacionada ao livro sobre Stalin. Mostra a natureza fragmentada dos últimos “capítulos”:

“O último capítulo completo do livro sobre Stalin, escrito há alguns meses, é ‘O ano de 1917’. Já foi traduzido ao inglês.

Para os capítulos seguintes, LT preparou uma série de pastas, cada uma delas com um título escrito por ele e contendo materiais e manuscritos. Cada pasta não corresponde a um futuro capítulo do livro; várias das pastas provavelmente estavam destinadas a serem utilizadas para um único capítulo. Foi impossível saber quantos capítulos foram planejados e que títulos levariam.

Nossa tarefa consistiu em fazer um inventário exato das pastas e colocar nelas algum material obviamente retirado nos últimos dias de vida de LT. Contamos 70 pastas. Elas são, além disso, de tamanhos diferentes. Algumas delas contêm subpastas e formam um futuro capítulo do livro; outras contêm apenas algumas poucas folhas.

Para dar uma ideia de seu conteúdo, seus títulos poderiam entrar nas seguintes categorias: Brest-Litovsk, A Guerra Civil, O Primeiro Período dos Sovietes, Doença e Morte de Lênin, Rumo ao Termidor, A Luta contra a Oposição, O Caráter Pessoal de Stalin.

Não há nenhum capítulo próximo da conclusão – após o último, ‘O ano de 1917’. Além de inúmeras citações e material de todo tipo, as pastas contêm como manuscritos só notas fragmentárias, escritas à mão por LT ou datilografadas. Muitas vezes, cada nota consiste de poucas linhas. A mais longa delas atinge dez páginas. Uma estimativa do volume total dessas notas é bastante difícil, mas estimamos que podem chegar a 300 páginas datilografadas regularmente, com espaço duplo.

Jean van Heijenoort, Universidade de Harvard, Cambridge, Mass., 14 de outubro de 19499.

As distorções de Malamuth

Logo que Malamuth teve acesso aos manuscritos inacabados de Trotsky, continuou com sua tradução. Parece que o método usado por Malamuth era o de traduzir oralmente ao inglês páginas do texto em russo para um datilógrafo. Isso se pode ver a partir de numerosos erros ortográficos de nomes russos nos rascunhos datilografados. Malamuth, então, revisava essas primeiras versões para polir a tradução.

A partir desse momento, Malamuth, agora tradutor e editor do Stalin de Trotsky, decidiria sobre o que entraria e o que seria deixado de fora do livro. Também ficou livre para adicionar seus próprios comentários como material de ligação. “A política editorial relativa à parte inacabada do manuscrito era a de publicar o texto de Trotsky inteiramente, exceto o material repetitivo e completamente alheio”, declara Malamuth em sua nota do editor. “Nessas circunstâncias, interpolações extensas do editor foram inevitáveis”. Ademais, oito páginas de texto foram compostas de “partes das notas do autor [mas] resumidas pelo editor”.

Malamuth se utilizou de sua posição como editor para introduzir seus próprios comentários políticos em partes do livro, usando interpolações extensas entre colchetes. Essas adições não autorizadas serviram para distorcer e deturpar o ponto de vista político de Trotsky e contrariavam todo o espírito político do livro. São semelhantes aos pontos de vista de Souvarine ou Sidney Hook, que consideravam o stalinismo como um desenvolvimento inevitável do bolchevismo – um ponto de vista que estava em contradição direta com a posição sustentada por Trotsky, claramente expressa em sua biografia de Stalin.

Para ilustrar a extensão dessas “interpolações”, basta ver a versão original do Capítulo 11: “Da Obscuridade ao Triunvirato”. Das aproximadamente 1.200 linhas desse capítulo, 62% são de Malamuth e 38%, de Trotsky. Não há uma só palavra de Trotsky até depois de sete e meia páginas de Malamuth. Na nota do editor, tudo isso foi passado como um simples “comentário”, essencial para a “fluência e claridade”!

Essa interferência política levou a amargas disputas entre Malamuth e Natalia Sedova. Após serem apresentadas as provas finais do livro, Natalia e o advogado de Trotsky, Albert Goldman, opuseram-se vigorosamente ao conteúdo. Há toda uma seção de cartas no arquivo de Trotsky contendo suas objeções. Sua indignação é revelada em seus comentários condenatórios escritos nas páginas das provas: “Falso! Completamente falso!”; “CM escreve muita besteira! Suas opiniões são como as de Sidney Hook”, escreve Goldman. “Falso, completamente falso…. O final próprio e completo de Trotsky é que deve ser utilizado. Não a versão “editada”; “Revisão inaceitável da história!”; “Inaceitável”; “Revisão falsa de acontecimentos históricos”; e assim por diante.

A viúva de Trotsky se opôs à “violência inédita cometida pelo tradutor aos direitos do autor”. Ela insistiu, “tudo o que foi escrito pela pena do senhor Malamuth deve ser expurgado do livro”. “Como concessão”, escreveu ela, “poderíamos concordar em incluir o próprio texto de LD – desde que primeiro seja confrontado por nós aos originais”. Eles, então, passaram a cancelar páginas de comentários de Malamuth. Mas foi inútil, os comentários não autorizados foram todos mantidos na versão publicada10.

Natalia recorreu a ações legais para impedir a publicação, mas o caso se perdeu. Quando o livro finalmente veio à luz, Malamuth cinicamente anunciou que a publicação ocorria “sem censuras, tanto dos trotskistas quanto dos stalinistas!”. A publicação de Stalin estava originalmente planejada para 1941. Mas enquanto o livro se encontrava em processo de impressão e distribuição aos atacadistas, o governo dos EUA interveio para interromper a publicação. Na sequência da invasão de Hitler da União Soviética, Roosevelt não queria irritar seu novo aliado – Josef Stalin.

“O livro [o Stalin de Trotsky] foi impresso por seu editor, Harper & Brothers, mas recolhido por eles antes da venda ao público no final de 1941”, escreve Frank C. Hanighen, escritor convidado por La Follete’s Progressive, em sua edição de 1º de maio de 1944. “Os editores alegaram ‘a preocupação com os efeitos adversos sobre as relações internacionais’, disse a senhora Lombard…”.

Helen Lombard, jornalista do Washington Evening Star, explicou o que estava por trás da supressão do livro.

“Pediu-se a um membro do Congresso para não deixar o livro sair de suas mãos nem permitir que fosse examinado por qualquer outra pessoa…. Os funcionários do Departamento de Estado sugeriram informalmente que qualquer citação do livro seria prejudicial às relações soviético-estadunidenses…”, explicou Frank Hanighen11.

Só em 1946, depois que a Grã-Bretanha e os EUA romperam com Stalin, o livro finalmente veio à tona. Como esperado, a publicação de Stalin provocou a indignação dos stalinistas. Eles haviam comemorado a supressão do livro, e esperavam que fosse permanente. Mas os tempos haviam mudado e a indignação dos stalinistas não tinha limites:

“Ele (Trotsky) pôs os seus secretários para trabalhar em uma extensa e injuriosa Vida de Stalin”, declarou Sayers & Kahn em A Grande Conspiração contra a Rússia, publicado nos EUA no início de 1946. E continuou:

“Os amigos de Trotsky nos EUA fizeram acordos para que esse livro fosse publicado pela Harper & Brothers de Nova Iorque. Embora o livro tenha sido impresso, Harper decidiu no último minuto não o distribuir; e as poucas cópias que haviam sido enviadas foram retiradas de circulação. Algumas seções do livro haviam sido previamente publicadas na forma de artigos por Trotsky. O último artigo publicado antes de sua morte apareceu em agosto de 1940, na revista Liberty; o artigo tinha o título de ‘Stalin envenenou Lenin?’ Em abril de 1946, em meio a um novo surto de propaganda antissoviética nos EUA, a Harper & Brothers reverteu sua decisão original e publicou a diatribe de Trotsky contra Stalin12.”

Cinco anos depois de ser retirado para evitar constrangimentos a Stalin, agora era visto como um porrete útil para golpeá-lo. As inserções de Malamuth proporcionaram os “ajustes” necessários para transformar o trabalho de Trotsky em uma arma na luta não só contra o stalinismo, mas também contra o bolchevismo. Por sua vez, a Harper & Brothers estava interessada em ganhar dinheiro com sua tardia publicação. Todo o episódio se caracteriza pelo cinismo mais descarado de todos os lados: os editores, Malamuth e o governo dos EUA, todos conspiraram para usar e abusar deste livro de acordo com seus próprios interesses. A única voz que foi silenciada foi a de seu autor, Leon Trotsky.

As omissões de Malamuth

Quando o Stalin foi finalmente publicado, uma grande quantidade de material foi deixada fora do livro, a despeito de ter sido traduzida por Malamuth, que considerou este material como “supérfluo”. As seguintes linhas são bastante típicas de sua atitude: “Encontrei pouco ou nada neste apêndice”, declarou Malamuth nas notas relativas ao rascunho. E seguia:

“Se concordas comigo, de que isto não é realmente indispensável, que tal deixá-lo totalmente fora do livro? Sinceramente, eu achei o mais chato, repetitivo e menos esclarecedor de todos os capítulos e, tirando-o, poderíamos poupar cerca de 5.000 palavras em outro lugar.”

Escrita no livro com a caligrafia de Malamuth encontra-se a nota: “Esta frase está obscura, mais conjecturas na minha opinião”13. De fato, Malamuth era claramente incapaz de “adivinhar” ou diferenciar entre o que era importante e o que não era.

Outra coisa que me chamou a atenção quando examinava os manuscritos nos arquivos foi o uso enganoso dos colchetes por Malamuth. Estes deveriam distinguir seu trabalho editorial do texto original de Trotsky. No entanto, quando se comparam os últimos rascunhos com os anteriores, esses colchetes somente apareceram depois que ele já havia traduzido o material de Trotsky. Em outras palavras, em alguns casos, ele colocou colchetes em torno das próprias palavras de Trotsky sem qualquer explicação, dando assim a impressão de que esses comentários ou palavras eram dele. Assim, o leitor algumas vezes não sabe se está lendo Trotsky ou Malamuth. Isso vai muito além dos limites do que seria considerado como edição e entra no domínio da distorção deliberada.

Por conseguinte, havia um grande trabalho a ser feito para restaurar ao máximo possível o texto original, embora inacabado, de Trotsky. A primeira tarefa foi a de remover as interpolações políticas de Malamuth. No arquivo, voltamos a examinar o texto para identificar as lacunas e omissões. Felizmente, a maioria do material que faltava estava numerada e poderia, com um considerável trabalho de detetive, ser adequadamente reunida ao texto original de uma forma ou de outra.

Agradecimentos

Em uma das visitas ao arquivo em 2005, adquirimos cópias do material que faltava na forma de microfilme. Com a amável assistência de Philip Wallace e Carol McCullum da coleção Trotsky da Glasgow Caledonian University, foram feitas fotocópias do filme. Então, essas cópias foram meticulosamente digitadas em arquivos do Word, incluindo todas as mudanças, comentários e exclusões. Essa pesada tarefa levou cerca de dois anos e foi realizada por Hazel Brookshaw, que lidou sozinha para decifrar e digitar todas as fotocópias em arquivos utilizáveis do Word. Uma vez realizada, conseguimos reconstituir cuidadosamente o trabalho original, mas de forma ainda inacabada, e juntar todas as partes que faltavam do livro. As pequenas lacunas que passaram despercebidas inicialmente foram restauradas graças à ajuda de Steve Iverson em Boston, que visitou os arquivos em nosso nome.

Desde o momento em que adquirimos o material necessário ao momento em que ficamos prontos para publicar a nova edição mais de dez anos se passaram. Tivemos o auxílio de um grupo comprometido de pessoas que dedicaram muito tempo e esforços para garantir o êxito deste importante projeto, e nenhuma delas tinha condições de trabalhar nisso em tempo integral.

Consegui encontrar os locais mais apropriado para inserir o novo material. A tarefa mais complicada e demorada, no entanto, envolveu a completa reformulação do texto, trabalho este que se desenvolveu de forma penosamente lenta. Esta foi a tarefa de Alan Woods, que, utilizando seu julgamento político e o conhecimento do idioma russo, conseguiu concluir este importante, mas extremamente complicado e difícil trabalho durante um período de cerca de três anos. A tarefa se tornou ainda mais complicada com a descoberta de material novo adicional, tanto em inglês quanto em russo. Outros materiais, que não se encaixavam facilmente, tiveram que ser inseridos no local mais apropriado de acordo com a narrativa e seu contexto político.

Devemos mencionar David King por seus encorajamentos e apoio antes de seu trágico falecimento em maio deste ano. Agradecimentos a John Peter Roberts por suas valiosas contribuições ao proporcionar um índice para este livro, notas adicionais de rodapé, sugestões e supervisão. Também gostaríamos de agradecer a Ana Muñoz, por seus esforços na digitação das correções e na revisão, a Timur Dautov, por sua assistência na tradução do russo. Niklas Albin Svensson, Niki Brodin Larsson e Guy Howie trabalharam na formatação do texto, das imagens e na elaboração do livro. Ademais, José Camo merece elogios por seu papel na concepção da capa do livro e em sua ajuda com o layout. Adicionalmente, devemos agradecer às seguintes pessoas por sua ajuda na revisão do texto: Phil Sharpe, Sion Reynolds, Juliana Grant, John Peterson, Francesco Merli, Fred Weston, Julian Sharpe, Steve Iverson e, finalmente, Hazel Brookshaw, além de sua transcrição dos manuscritos originais.

Este projeto não seria bem-sucedido sem a amável permissão da Biblioteca Houghton da Universidade de Harvard para examinar, traduzir e publicar material de sua coleção. Gostaríamos de agradecer em particular a Thomas Ford e outros bibliotecários da Biblioteca Houghton por sua ajuda e assistência.

Ao publicar este livro, finalmente atendemos à vontade da viúva de Trotsky, Natalia Sedova, de expurgar do texto todos os traços das interpolações de Malamuth. A crítica de Trotsky a Stalin e ao stalinismo é, por direito próprio, uma obra clássica do marxismo. Esperamos fervorosamente que nossa decisão de republicar este importante trabalho de Trotsky, expurgado das distorções anteriores, servirá para colocar a última obra de Trotsky no lugar de honra que merece na literatura política do século XX.

Rob Sewell

Junho de 2016

1 Escritos, Suplemento de 1934-40, p. 863.

2 Carta a Martin Abern, datada de 7 de janeiro de 1932, Leon Trotsky Exile Papers bMSRuss 13 2861, Houghton Library, Harvard University.

3 Carta de Wright a Trotsky, datada de 2 de dezembro de 1938, bMSRuss 13. T4738.

4 Carta a Jan Frankel, 3 de fevereiro de 1938.

5 Escritos, Suplemento de 1934-40, p. 830, ênfase minha – RS.

6 Escritos, 1935-6, p. 440.

7 Ibid., p. 462.

8 Iniciais de ‘Lev Davidovich’, primeiro nome e sobrenome de Trotsky, pelos quais era conhecido pela família e amigos próximos, segundo o costume da cultura eslava oriental naquele tempo.

9 BMSRuss 13.1 T4801.

10 BMSRuss 13.3 – H12 (1de2)

11 Reimpresso do Socialist Appeal britânico, agosto de 1944.

12 The Great Conspiracy Against Russia, p. 111.

13 BMSRuss 13.3, pasta H.14, 2 de 2.

Tradução de Fabiano Leite e Caio Dezorzi.

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