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A greve metalúrgica no Uruguai chegou ao fim com uma grande vitória

Depois de mais de 15 meses de luta e uma greve de mais de 25 dias os metalúrgicos do Uruguai conseguiram importantes vitórias. Este breve artigo de Juan Alfonso enaltece a unidade entre os trabalhadores e a solidariedade internacional.

Companheiros latinoamericanos e do mundo: como já sabem, os trabalhadores metalúrgicos estiveram lutando por um Convênio Coletivo em um quadro chamado “Conselho de Salários”. Esse convênio custou-nos 15 meses de luta, já que começou em junho de 2010 e nunca a Câmara Metalúrgica quis negociar nada.

Obviamente, para muito mais além do fato de que não queriam dar sequer um peso de aumento, há muito mais questões em jogo: como o poder operário de transformar os sistemas de produção e nos capacitar cada vez mais para sermos melhores como trabalhadores qualificados e definitivamente buscar uma indústria nacional mais competitiva que gere fontes de trabalho para nosso povo.

Mas os capitalistas donos das empresas sabem de tudo isso e de muito mais, e nós também sabemos. Nós seguimos o caminho para uma sociedade sem explorados e nem exploradores e os capitalistas querem voltar à escravidão.

Voltando ao tema: depois de uma greve de 25 dias, com a qual conseguimos uma ampla unidade entre os companheiros, também conseguimos $73 pesos para o peão do chão de fábrica (ganhavam menos de 60 por hora). As demais categorias receberão 83, 89, 94, 105, 121 e 141 pesos, todos estes preços por hora são mais do que muitos podiam imaginar.
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Mas também, por exemplo, conseguimos um ajuste de 3% a cada 6 meses mais o que se chama IPC, que é um valor que girava entre os 4% ou 5%, ou seja que semestralmente chegaríamos a receber pelo menos 7% DE REAJUSTE salarial. Vale dizer que pretendíamos um salário mínimo de $14.000 pesos e com estes números o superamos.

Também conseguimos, por meio do acordo, fazer com que sejam contratados os companheiros com mais de 55 anos de idade, já que aqui a idade para se aposentar um homem é de 60 anos, e aos 40 já é mais difícil conseguir trabalho.

Quase o mesmo ocorre com os rapazes de 22 anos. As empresas pedem-lhes experiência, quando com essa idade, estão saindo da Universidade do Trabalho do Uruguai (UTU) que é onde se aprendem os ofícios. Agora temos um convênio onde podem começar a trabalhar para adquirirem experiência e não se pode mais lhes negar o trabalho alegando falta de experiência.

Criou-se também um órgão tripartite (trabalhadores, Estados e empresários) para exigir e fomentar a formação profissional.

Teremos um fundo social operário-patronal para utilizar em, por exemplo, estudo, médicos, desporto, etc. para nossos filhos e para a família. Isto será mais amplo, mas me parece que para informação geral é suficiente.

Estamos orgulhosos do que conquistamos não só pelos pontos mencionados, senão pelo apoio e o espírito de combate dos companheiros que, como já se sabe, sem eles não somos e nem faríamos nada.

Demos um passo muito importante na luta, mas devemos seguir avançando.

Obrigado companheiros por divulgarem esta nossa luta, obrigado aos grêmios e sindicatos de toda América: FANAMEPSICOP do Peru, CNM/CUT do Brasil, FETRAMECOL da Colômbia, Associação Operária da Argentina, CONSTRAMET do Chile, Federação de Trabalhadores Metalúrgicos da França, STIMAHCS de México, CNMM E CUT MINEIRA de Peru, Sindicato de Funda em México, e todas as filiais da FITIM (Federação Internacional de Trabalhadores da Indústria Metalúrgica).

UM ABRAÇO GRANDE DESDE O URUGUAI

Juan Alfonso – UNTMRA – Responsável zonal “D” metalúrgico

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