A Grécia e o ultimato da Troika

Os acontecimentos na Grécia se desenvolvem velozmente. Um referendo foi chamado para decidir se o povo aceita as imposições da Troika. Não à austeridade! Toda solidariedade à luta da classe trabalhadora grega!

Os acontecimentos na Grécia se desenvolvem velozmente. No início da semana passada, tudo caminhava para que fosse fechado um acordo entre o governo grego e a Troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia). Esse acordo mantinha diferentes medidas de austeridade para seguir o pagamento da dívida grega.

48 horas depois, Alexis Tsipras (primeiro ministro da Grécia) foi presenteado com uma contraproposta, mais brutal do que a proposta inicial.

As novas exigências incluem: que o aumento da idade para 67 anos para aposentadoria seja antecipado de 2018 para 2015. A abolição da subvenção solidária (pagamento complementar para os pensionistas mais pobres) em 2017 (ao invés da eliminação gradual até 2020, que o governo grego tinha proposto). A Troika propõe ainda um aumento maior (um ponto percentual adicional) em contribuição para cuidados com a saúde dos pensionistas em relação ao que governo grego havia proposto. Resumindo: os pensionistas deverão pagar mais e seus direitos à pensão serão reduzidos rapidamente.

Em matéria de IVA (que é um imposto regressivo abatido sobre o consumo), basicamente a Troika propõe aumentos maiores do que aqueles propostos pela Grécia. As exigências da Troika são bastante específicas e significaria, por exemplo, aumentar o IVA sobre produtos alimentares básicos como o leite, óleo e queijo, de 13% para 23% (ou seja, um aumento de 10% no preço).

A parte mais importante da contraproposta da Troika é o abatimento de 12% de impostos sobre as empresas que ganham mais de 500.000 euros (1,35 bilhões poupados para as grandes empresas). Além de insistir que os impostos para as empresas não devem ser aumentados de 26% para 29%, mas sim para 28% (poupando aos capitalistas mais de 137 milhões de euros).

Estas propostas da Troika foram verdadeiras provocações. Com o claro objetivo de destruir o governo do Syriza e construir um governo de unidade nacional submisso aos interesses imperialistas. Dando um recado de que não há nenhuma alternativa para os trabalhadores de diferentes países massacrados pela austeridade.

A Tendência Comunista do Syriza, seção da CMI na Grécia, alertou desde o início a direção do partido sobre o caráter utópico da ideia de que seria possível um acordo com a Troika e, ao mesmo tempo, manter o programa eleitoral do Syriza.

No último sábado, o parlamento grego aprovou a proposta de Tsipras de convocação de um referendo para o próximo domingo (5/7) para o povo se posicionar se “sim”, aceita as imposições da Troika, ou “não”.

A Troika se recusou a adiar o prazo para o pagamento da parcela de 1,6 bilhão de euros, que venceu hoje (30/6), e a Grécia entrou em moratória. Existe forte pressão, inclusive de setores do imperialismo, para que o referendo seja suspenso e para que sejam reabertas as negociações.

Os militantes da Tendência Comunista do Syriza chamam voto no “não” às imposições da Troika e estão participando dos atos contra a austeridade (ao lado, jornal vendido pelos marxistas gregos).

O que está se desenvolvendo na Grécia tem uma grande importância não apenas para a economia mundial, mas para a luta internacional da classe trabalhadora contra os ataques do capitalismo em crise.

A página da Corrente Marxista Internacional (www.marxist.com) está publicando uma série de artigos analisando o desenvolvimento da situação, nossa página está organizando a tradução e publicação desses artigos.

Não ao ultimato da Troika! Romper com capitalismo! Toda solidariedade à classe trabalhadora grega! 

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