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A falência política do 5º Congresso do PT, um congresso para que nada mude

O 5º Congresso do PT, ocorrido de 11 a 13 de junho, em Salvador, evidenciou a profunda crise instalada no partido e sua falência política. Um congresso realizado para nada mudar, submisso aos interesses do planalto e que reafirmou o caminho da colaboração de classes. Leia a análise publicada no editorial da edição 73 do Foice&Martelo.

O 5º Congresso do PT, ocorrido de 11 a 13 de junho, em Salvador, evidenciou a profunda crise instalada no partido e sua falência política.

O governador petista da Bahia, Rui Costa, tentou fazer o discurso de boas vindas e foi vaiado com gritos de “Cabula, Cabula, Cabula”, em referência a um bairro de Salvador onde a PM estadual assassinou jovens negros. A ação foi apoiada pelo governador.

Lula leu seu discurso. Defendeu seu legado, o governo e endureceu nas críticas à mídia burguesa que o acusa de envolvimento em corrupção. No plenário, apatia, nada da vibração de outros tempos.

Dilma discursou dizendo que “nós não mudamos de lado”, para depois defender o ajuste fiscal e tentar unificar o partido na defesa do governo. Nesse momento o plenário se esvaziou e só sobraram cerca de 250 delegados.

O fato mais relevante desse Congresso foi um manifesto intitulado “O PT de volta para a classe trabalhadora”, assinado por 422 lideranças sindicais cutistas, incluindo 31 membros da Executiva Nacional e o presidente da central, Vagner Freitas.

O manifesto faz críticas ao governo e ao ajuste: “Consideramos que a política de ajuste fiscal regressivo e recessivo inaugurada com a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda coloca o PT contra a classe trabalhadora e as camadas populares que sempre foram sua principal base de apoio. Trata-se de uma política econômica que diminui o papel do Estado, corta investimentos e eleva juros, acabando por restringir direitos sociais, rebaixar salários e aumentar o desemprego, com impactos negativos no PIB”.

Esse manifesto é a expressão da revolta existente na base dos sindicatos, na classe trabalhadora, com a política do governo, apoiada pelo partido. Pra não perder a base, os dirigentes precisam fazer algum movimento à esquerda.

A realidade esteve ausente nos discursos dos principais dirigentes do PT e na resolução política do Congresso, intitulada de “Carta de Salvador”, uma obra de ficção para defender o governo e a política que destruiu o PT como instrumento de luta da classe trabalhadora.

São feitas, no documento, autocríticas superficiais, como o afastamentos do partido em relação aos movimentos sociais, e de não ter sido criado um sistema de comunicação para se contrapor às “corporações midiáticas”. No entanto, o centro, a política de colaboração de classes, isso segue sendo um acerto que “tornou viável, para as administrações comandadas pelo PT, a construção de maiorias parlamentares táticas, que garantiram a governabilidade para aprovação de políticas públicas e manutenção da estabilidade institucional”.

Qualquer traço de crítica ao governo foi retirado do documento final.

Nem sobre o financiamento do partido o Congresso decidiu. Remeteu para o Diretório Nacional. Lula explicou que “se precisar” de doações privadas, “com a mesma cabeça erguida com que a gente dá os nossos R$ 10,00, a gente vai pedir”. É a nítida a dependência que o PT tem das doações da burguesia e do Fundo Partidário do Estado. É incapaz de se sustentar a partir dos militantes.

Todas as principais correntes defendem a existência de uma “onda conservadora”, o que lhes serve bem como cortina de fumaça para defender o governo. Todas propõem como saída a farsesca Reforma Política.

O PED continua, a aliança com a burguesia continua, o apoio ao ajuste fiscal do governo continua, o dinheiro de empresas para o partido continua, a caminhada para a destruição também continua.

Ao contrário do PT e de suas tendências, nós olhamos com entusiasmo a atual situação política. A classe trabalhadora segue forte, luta, resiste e busca uma saída. As instituições burguesas, incluindo os partidos tradicionais que se empenham na defesa da ordem, ganham cada vez mais o ódio das massas. É o mesmo processo que estamos vendo ao redor do mundo, em especial na Grécia e na Espanha.

São tremores abalando as estruturas do regime capitalista internacional. Um mundo novo lutando para nascer das entranhas do decadente capitalismo. A Esquerda Marxista, que rompeu com o PT, permanece fiel aos princípios de independência de classe, mantém acesa a chama que esteve na origem do PT, e segue em frente na luta pela revolução, pelo socialismo.

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