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A Esquerda Marxista está com a Chapa 3 nas eleições do sindicato dos servidores

 

Os trabalhadores do serviço público municipal de Campinas, nos próximos dias 29 e 30 de abril, estão chamados a decidir sobre quem será sua direção sindical, às vésperas da campanha salarial, cuja data-base é maio. Dois eventos de grande importância os quais têm ligações profundas.

Os trabalhadores do serviço público municipal de Campinas, nos próximos dias 29 e 30 de abril, estão chamados a decidir sobre quem será sua direção sindical, às vésperas da campanha salarial, cuja data-base é maio. Dois eventos de grande importância os quais têm ligações profundas.

Os principais diretores da atual gestão do sindicato, nas eleições municipais do ano passado, fizeram campanha para o atual prefeito Jonas Donizetti (PSB) e, inclusive, o ex-coordenador geral da entidade, Marionaldo Maciel, foi candidato a vereador, também pelo PSB. Derrotado como candidato a vereador, Marionaldo assumiu o cargo de Secretário de Recursos Humanos na Prefeitura, o que demonstra o nível de atrelamento entre a direção sindical e governo municipal.

Na próxima eleição sindical concorrem 3 chapas: a chapa 1, da situação, apoiada pela CTB (PCdo B) e pelo prefeito Jonas Donizetti; a chapa 2, sem vinculação a nenhuma central sindical, impulsionada por militantes do PSOL e PSTU; e a chapa 3, apoiada pela FETAM/CUT, e pela Esquerda Marxista do PT.

O clima da eleição sindical começou acirrado já na assembleia que definiu a comissão eleitoral, que foi muito desorganizada, antidemocrática e marcada por uma fraude na contagem dos votos, num verdadeiro vale-tudo para eleger uma comissão eleitoral dominada pela chapa da situação.

A chapa 3 procurou a 2 para uma composição nos marcos das reivindicações da categoria: oposição ao governo municipal e com o compromisso de discutir democraticamente as centrais sindicais num congresso dos servidores. No entanto, a chapa 2 se recusou a estabelecer esse acordo, o que acabará favorecendo a chapa da situação, com a divisão dos votos da oposição.

Crise no serviço público

Os trabalhadores passam por diversas dificuldades nos locais de trabalho, desde falta de equipamentos, remédios, falta de trabalhadores, servidores doentes, assédio moral e o poder aquisitivo que a cada dia fica menor, ainda mais em época de inflação.

Está em curso na prefeitura de Campinas uma política clara de destruição dos serviços públicos. Vários governos que passaram se preocuparam em pagar os juros das dívidas para os bancos, aplicaram sempre a Lei de Responsabilidade Fiscal, terceirizaram vários setores da administração municipal, como as merendeiras das escolas, a gestão do Hospital Ouro Verde, os serviços operacionais e até creches inteiras, como as Naves Mães.

Quem mais sofreu e continua sofrendo com isso são os servidores e a população. Hoje, há uma crise na saúde, os hospitais estão operando com a metade dos leitos. Depois do encerramento do Contrato Cândido Ferreira/Prefeitura, a mando do Ministério Público, que demitiu 621 pessoas (que ainda não foram substituídas através de concurso público), os hospitais e unidades ficaram sem profissionais, acarretando filas de esperas de mais de 10 horas nos prontos-socorros. A saúde mental e assistência social também foram prejudicadas, pois se reduziu drasticamente o número de funcionários. O laboratório municipal, por falta de funcionários, só está atendendo casos de urgência e no almoxarifado central não tem pessoas suficientes para separar os remédios e equipamentos para os locais de trabalho, causando desabastecimento em toda a rede.

Na educação, as escolas estão abandonas, com mato alto, equipamentos quebrados, salas superlotadas e a falta de vagas deixa hoje quase 7 mil crianças fora da escola.

Campinas é uma cidade com mais de um milhão de habitantes, com uma economia rica, que a colocou entre as cidades que mais recolheram impostos nestes últimos anos, na casa de R$ 1,8 bilhões em 2012, segundo a Associação Comercial de São Paulo. O caixa da prefeitura ainda recebeu investimentos maciços do governo federal: só na saúde foram 32 milhões e mais 3,5 milhões para a construção do Hospital da Mulher.

Por outro lado, os governos fizeram uma opção de atender os interesses dos banqueiros e empresários e deixaram os servidores e a população a ver navios. E novamente essa opção se repete, pois o governo Jonas já avisou que não vai municipalizar o Hospital Ouro Verde, e utiliza como argumento a Lei de Responsabilidade Fiscal. Afirma que pretende instalar uma Fundação Pública de Direito Privado para gerir o hospital. Um absurdo, pois hospital foi totalmente construído com recursos públicos, particularmente do governo federal e, portanto, deveria ser federalizado!

A categoria, por sua vez, mostrou nas últimas greves uma disposição enorme para lutar pelas suas bandeiras, colocando até cinco mil pessoas em frente da prefeitura, porém a atual direção usa de todos os mecanismos para barrar e desviar as lutas dos trabalhadores e, por fim, entregam as negociações no colo da justiça e lavam as mãos para o que acontecer. Falta uma política classista e socialista, de convencimento e diálogo permanente com os trabalhadores e de solidariedade com outros sindicatos e com a população.

Agora é chapa 3!

Nestas eleições sindicais, o que está colocado para os trabalhadores municipais é eleger uma chapa com uma política sindical independe, sem amarras com o governo-patrão, capaz de fazer os enfrentamentos necessários para levar as lutas da categoria em unidade até o final. Nem a chapa 1 que está atrelada ao governo, nem a chapa 2 que leva uma política sectária e oportunista podem representar uma alternativa para os servidores e, por isso, chamamos voto  na chapa 3. A chapa 3 tem lutadores históricos da categoria que ajudaram a fundar o sindicato há mais de 20 anos, participaram de várias lutas importantes e vitoriosas da categoria como a luta contra a demissão de 1500 trabalhadores, a luta pela redução da jornada para 36 horas semanais, pelo plano de cargos e carreiras e muitas outras. Nas greves da categoria sempre nos colocamos à frente das batalhas nas plenárias setoriais, nos comandos de greve, cobrando do sindicato que faça a luta dos trabalhadores e dos governos para que nossas reivindicações sejam atendidas.

Para nós marxistas que participamos desta chapa, o sindicato é um ótimo instrumento para a elevação do nível de consciência dos trabalhadores, sabendo que ele não é um fim em si mesmo, que é necessário levar um combate paciente explicando aos trabalhadores que todos os ataques que nós sofremos são frutos deste sistema apodrecido que é o capitalismo, e que nossas vitórias verdadeiras só serão possíveis se abolirmos por completo o regime de propriedade privada dos meios de produção. Nesta batalha, deveremos vencer as direções dos trabalhadores, tanto as reformistas-burocráticas quanto as oportunistas-sectárias e levar adiante a luta pela mudança desta sociedade, construindo o socialismo.

É nesta perspectiva que trabalharemos para levar a chapa 3 à vitória, levantando as reivindicações e nos colocando lado a  lado da categoria para enfrentar esses desafios.

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