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A Esquerda Marxista em defesa da Cipla e Interfibra

Esta intervenção se inscreve numa situação em que, no último período, testemunhamos uma escalada internacional da repressão e criminalização dos movimentos sociais, em particular da classe operária organizada.

DECLARAÇÃO PÚBLICA DA ESQUERDA MARXISTA

Continuar a luta pela estatização e pelo socialismo!

Construindo-se como uma corrente legítima do movimento operário no interior do PT e da CUT a Esquerda Marxista combate pelas reivindicações operárias, pela revolução socialista e por isso sofre neste momento um furioso e vingativo ataque do conjunto das forças da reação. Nossa reação é aprofundar nosso combate, nossa organização, nossa coesão política, nossa implantação operária e nossa construção internacional. Nossa defesa está junto de nossa classe e em nossa construção como organização operária e socialista.

Continuamos nossa luta no interior do PT contra a política pró-imperialista aplicada pelo governo Lula e seu Governo de Coalizão, exigindo a ruptura com os partidos burgueses e o imperialismo. Impulsionamos o Movimento Negro Socialista (MNS), lutando contra o racismo e pela universalização dos direitos, lutamos contra a política de divisão expressa nas políticas de ações afirmativas. Jogamos um papel destacado na luta de frente única que até agora impediu a aprovação do suposto “Estatuto da Igualdade Racial” que dividiria a nação em duas “raças” com direitos diferentes. Nossos camaradas ferroviários ocuparam um papel dirigente no combate de resistência contra a extinção da RFFSA (Rede Ferroviária Federal) e em defesa dos direitos e reivindicações dos ferroviários. Dirigimos desde 2002 o Movimento das Fábricas Ocupadas reivindicando a estatização sob controle operário. Organizamos inúmeras Conferências e atividades internacionais em defesa dos empregos, dos direitos e do parque fabril. Ocupamos latifúndios junto com o MST e agimos junto com o movimento por moradia. Nos debates que preparam o Congresso Nacional do PT, impulsionamos a única Tese (Um Programa Socialista para o Brasil) que defende a abolição da propriedade privada dos grandes meios de produção, a ruptura da coalizão com a burguesia, o fim do pagamento da dívida externa/interna, e a defesa da revolução venezuelana com a campanha “Tirem as mãos da Venezuela”. Nós lutamos consequentemente junto com a classe operária pelo socialismo.

Dirigindo o Movimento das Fábricas Ocupadas, que manteve a ocupação e funcionamento sob controle operário das fábricas Cipla, Interfibra e Flaskô, na mais longa ocupação conhecida na história do movimento operário internacional, enfrentamos todas as pressões dos capitalistas e sua imprensa, do aparelho de Estado, dos governos, das direções que se passaram para a defesa do capital, assim como das seitas esquerdistas, sem falar nos patéticos que nos acusavam de ter abandonado o combate pela estatização sob controle operário. Sofremos ameaças e propostas de todos os tipos para que abandonássemos nossa orientação.

Nós resistimos! Sob nossa direção política, trabalhadores de dezenas de fábricas se lançaram em diversas ocupações por todo o Brasil. Inspiramos o movimento operário de outros países. Na Cipla, reduzimos a jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem reduzir salários nem direitos. Nenhum empresário, nenhum detentor do poder, nenhum defensor dos interesses da classe dominante pode tolerar que continuemos com este combate que mostrava na prática que os patrões são parasitas, desnecessários, e que a classe operária pode governar ela mesma. Por isso o Governo Federal organizou a intervenção com 150 homens armados na Cipla que resultou na ameaça e perseguição dos nossos militantes. Foram demitidos por justa causa os trabalhadores militantes ou simpatizantes da Esquerda Marxista do PT, num claro processo fascista de perseguição político-ideológica digno da ditadura de Pinochet!

Esta intervenção se inscreve numa situação em que, no último período, testemunhamos uma escalada internacional da repressão e criminalização dos movimentos sociais, em particular da classe operária organizada. A mídia burguesa, o imperialismo e as burguesias nacionais desenvolvem uma campanha permanente através dos telejornais, novelas, programas de entretenimento e produções cinematográficas e mesmo acusações caluniosas diretas, contra o movimento popular e suas lutas buscando igualar narcotraficantes, assassinos, seqüestradores, políticos corruptos e terroristas aos ativistas e militantes socialistas assim como às organizações do movimento operário.

O vento revolucionário que varre a América Latina com força crescente e levou a derrubada de chefes de estado em vários países, a tentativas de constituição de organismos de duplo poder (Bolívia, México) e eleição de presidentes que se reivindicam da classe trabalhadora e do anti-imperialismo, leva o imperialismo a ampliar e concentrar essa política criminosa de repressão e tentativa de desmoralização em todos os aspectos da luta do povo trabalhador. E o concentra no Governo Chávez e o processo revolucionário impulsionado pela classe operária da Venezuela, no combate contra o governo de Evo Morales depois das nacionalizações que seu governo iniciou na Bolívia. Assim também com os mais importantes movimentos em cada país.

No Brasil essa escalada se dá com o apoio aberto do Governo Lula, reeleito por 58 milhões de trabalhadores, mas que confisca a vitória popular compondo uma ampla coalizão com a burguesia e os partidos historicamente inimigos da classe trabalhadora.

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) vem sendo a cada ano mais reprimido e criminalizado. Em 2005 foram 150 presos. Em 2006 foram 600 presos. Os assassinatos no campo continuam aumentando e sempre impunes.

Os movimentos que saem às ruas para cobrar o atendimento das reivindicações são cada vez mais reprimidos com violência e prisões – a exemplo do que ocorreu na manifestação “FORA BUSH” em São Paulo, nos bloqueios de estrada contra a Emenda 3, etc. Nas manifestações dos servidores públicos de Florianópolis que são presos e ameaçados de serem “apagados” pelo Comandante da PM de SC.

Continuamos a luta em todas as frentes! Agora com a campanha “Fim Imediato da Intervenção na Cipla e Interfibra!” exigindo o fim da intervenção federal na fábrica e a volta do controle aos trabalhadores. Mas só conseguimos resistir e continuar nosso combate por que estamos organizados democrática e solidamente, nacional e internacionalmente e contamos com uma ampla simpatia e apoio entre os trabalhadores em todos os lugares. Em sua luta contra o capital e pelo fim de toda opressão e exploração a classe operária só pode contar com uma arma: sua organização!

Junte-se a nós nesses combates! Compre nosso jornal, nossa revista! Contribua financeiramente! Discuta com nossos militantes para ingressar em nossa organização na luta por um mundo onde não haja mais exploração do homem pelo homem e possamos viver um período de verdadeira evolução da humanidade!

Direção Nacional da Esquerda Marxista do PT
Joinville, 17 de Junho de 2007

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