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A direção da CUT continua longe da base

Enquanto central vacila entre a conciliação de classes e discursos de luta, governos e capitalistas avançam contra direitos e conquistas dos trabalhadores.

Quando se reuniu em fevereiro deste ano, a Direção Nacional da CUT teve uma mostra do descontentamento dos trabalhadores. Os sindicalistas de base reclamavam um enfrentamento direto, reivindicavam o fim do “governo de conciliação de classes”. Houve dirigente questionando se não era o momento de se falar em ocupação de fábricas… Poucos dias antes, representantes da então Presidente Dilma haviam anunciado no “Conselhão” a nova reforma na Previdência, impondo a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, fim das aposentadorias especiais, desvinculação das pensões com o salário mínimo…

Para “aliviar a pressão”, a alta direção da Central fez bons discursos de combate e convocou a Marcha a Brasília de 31 de Março, com uma convocatória de encher os olhos: contra a reforma da Previdência, contra a retirada de direitos, defesa do petróleo… Segundo Wagner Freitas, nada de atos descentralizados. Todos deveriam estar em Brasília, mais de cem mil trabalhadores marchando em defesa de suas reivindicações.

Os dias foram passando e em duas semanas a convocatória sumiu dos portais. Em seu lugar, a defesa incondicional do governo Dilma, “Contra o Golpe”, “Fica Dilma”, “Lula, nesse eu confio”. Isso tudo em meio a uma enxurrada de denúncias contra Lula, o PT e toda a base aliada ao governo. Com a popularidade de Dilma abaixo dos 10%, obviamente essa pauta era impossível de ser apresentada e defendida no chão da fábrica ou em qualquer local de trabalho. Paralela e silenciosamente a marcha foi esvaziada, com atos regionais e falta de mobilização. No fim, pouco mais de trinta mil pessoas em Brasília, engolidas nos discursos e encaminhamentos que abandonaram completamente as reivindicações da classe. Pra piorar, a direção executiva da CUT baixou orientação para que todos os sindicatos “escondessem” suas pautas e em todos os seus veículos de comunicação (site, jornal, panfletos, carro de som…) passassem a reproduzir somente discursos “contra o golpe”.

Com Dilma afastada e o governo Temer atacando sem reservas os direitos trabalhistas, mais uma vez a direção da CUT se sente pressionada pelas bases a convocar a luta. A Executiva emite resolução que aponta para a Greve Geral. Em ato na Paulista, porém, Lula trata de jogar um balde de água fria no ânimo dos sindicalistas (“Não vou falar em greve geral porque aposentado não faz greve” e “Fora Temer não pega bem”). Em seguida convoca-se o ato do dia 16 de agosto, descentralizado. Apesar de uma pauta justa, nitidamente mais um esforço da direção em “aliviar a pressão”. Uma semana antes, o site da CUT exibe timidamente no alto de sua página a informação de uma Assembleia dos trabalhadores no dia 16. Só. Enquanto isso, projetos como o PL 257 avançam na Câmara dos Deputados, destroçando a vida dos servidores públicos.

É nítido que a direção executiva da CUT embarcou no projeto Lula 2018. Os marxistas, no interior da Central, continuarão o combate para que a CUT seja de fato um instrumento de luta da classe trabalhadora, capaz de unificar o conjunto da classe em defesa dos seus interesses imediatos e pela transformação social. Não amanhã. Não em 2018. Mas nesse exato momento em que os ataques ocorrem e os direitos de todos estão ameaçados.

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