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A CUT tem que ir para a base e preparar a greve geral

Em 2013, a situação politica e econômica do Brasil começou a ser alterada pelo cenário internacional da crise. Essa alteração se expressou finalmente com as manifestações de junho que deram um salto de qualidade, primeiro com a explosão da juventude e na sequencia com a entrada em cena da classe trabalhadora, que levou a direção da CUT e das demais centrais a convocar uma Greve Geral para 30 de agosto.

Em 2013, a situação politica e econômica do Brasil começou a ser alterada pelo cenário internacional da crise. Essa alteração se expressou finalmente com as manifestações de junho que deram um salto de qualidade, primeiro com a explosão da juventude e na sequencia com a entrada em cena da classe trabalhadora, que levou a direção da CUT e das demais centrais a convocar uma Greve Geral para 30 de agosto.

O esforço do governo de coalizão do PT com os capitalista é para privilegiar a burguesia por meio de distribuição de dinheiro público através da desoneração da folha de pagamentos e pela desoneração fiscal. Usa o falso argumento de que isso protegerá os empregos e tornará as empresas nacionais mais competitivas no mercado internacional.

Com a chegada da crise, esse esquema começou a fazer água e a burguesia passa a exigir mais, muito mais, e já não está mais tranquila e segura de que não terá prejuízos com a crise. Mantega recentemente anunciou que não tem mais como manter a política de desoneração fiscal diante do cenário internacional catastrófico.

A conversa de que a crise não atingiria o Brasil, caiu por terra. Ela chegou e o governo passou a sofrer enorme pressão da burguesia para ampliar as privatizações e realizar mais cortes nos investimentos em áreas sensíveis para a população.

Não há como curar um tumor com aspirina

A crise, do ponto de vista do capital, não tem saída sem que se esfole mais e mais a classe trabalhadora. Não há como curar um tumor com aspirina.

A base aliada do governo (partidos burgueses) vai cada vez mais se decompondo, e o governo, na tentativa de salvar os capitalistas, vai aprofundando os ataques contra os trabalhadores com cortes no orçamento e em seus direitos, além das privatizações, terceirização total, corte na multa do FGTS.

As benesses da Dilma com desoneração para vários setores da indústria: Automotivo, Informática, Construção Civil, Obras da Copa, dentre outros, não modifica em nada o resultado do PIB para este ano e deve fechar bem abaixo do projetado pela equipe econômica da Dilma.

Com o aprofundamento da crise econômica internacional, que está longe de seu desfecho e ápice, a situação no Brasil está tendendo a ficar cada vez mais tensa. Os trabalhadores começam a perceber que o remédio que o governo tem aplicado nada mais é que a velha e conhecida tentativa de obrigá-los a pagar a conta. Percebem que os serviços públicos essenciais estão cada vez piores, veem que o governo aprofunda o processo de privatizações nos Aeroportos, Portos e Estradas. Todos perceberam que tem ocorrido uma aceleração no sucateamento da saúde através das “OS” (Organizações Sociais), e que o governo nem consegue contratar médicos para prestar serviços nas regiões mais necessitadas.  A saída governista e dos patrões será a de privatizar totalmente a saúde pública, a educação e o petróleo, entregando tudo aos capitalistas.

A “calmaria” existente até pouco tempo no país, quando tudo parecia correr na mais absoluta normalidade, no mês de Junho de 2013 começou a dar mostras de que o copo que parecia vazio, na verdade transbordava.

A resposta da presidente Dilma frente às demandas sociais não garantiu nenhum dos anseios dos trabalhadores e da juventude. Prometeu, sabe-se lá para quando, investimentos para a infraestrutura dos transportes nas cidades, abriu contratação para médicos e o resultado tem sido lamentável. Na periferia seguem as mortes e assassinatos, e apesar de uma sinalização de que a inflação não deve explodir, o custo de vida nas grandes cidades começa a ser asfixiante, o atendimento médico na saúde pública é deplorável e o povão continua a andar enlatado em transportes obsoletos e caros. O Congresso Nacional está desmoralizado e desacreditado como nunca antes. A burguesia aperta o cerco contra os trabalhadores. O governo diz ter ouvido a voz das ruas, mas deixa tudo como está e assinala uma reforma política que o Congresso de picaretas realizará.

A CUT dá uma no cravo e outra na ferradura, aliás, uma no cravo e duas na ferradura. Chama a Greve Geral, medida justa e necessária, mas segue na busca de negociar uma saída com a patronal e para a patronal, segue sustentando o governo de colaboração de classes, segue acreditando na possibilidade de um capitalismo bonzinho, menos selvagem e mais humano. Na Grécia, Espanha, Portugal e outros países essa política tem custado milhares e milhares de postos de trabalho, mais perdas de direitos. A presidente Dilma tem demonstrado total desinteresse político em atender a pauta dos trabalhadores

Após as lutas de junho e julho abriu-se um novo período na luta de classes. A classe trabalhadora sentindo-se ameaçada levou a CUT e demais centrais sindicais a se unirem na linha da frente única. Várias mobilizações parciais foram realizadas para chamar a atenção do governo e do parlamento sobre a demanda dos trabalhadores. Nada foi atendido.

O dia nacional de paralisação, convocado pelas centrais e realizado em 11 de julho, foi positivo e animou os trabalhadores, mas foi insuficiente para fazer a presidente Dilma escutar a voz das ruas e atender a pauta dos trabalhadores: estabilidade no emprego, reajuste automático dos salários, fim do Fator Previdenciário e revogação de todas as reformas da previdência, redução da jornada sem redução dos salários, reforma agrária, fim das privatizações, nacionalização dos bancos e reestatização de tudo o que foi privatizado.

Lutar ou criar ilusões?

No dia 06 de agosto as centrais sindicais realizaram atos contra o PL 4330 que, se aprovado, permitirá a contratação de temporários também para as atividades fins nas empresas. A convocação e realização dos atos foram importantes, mas foram fracos e se restringiram a criar uma pressão junto aos empresários, desviando o alvo e o foco da luta para negociações com os empresários quando toda força deve se concentrar na exigência de que a presidente Dilma atenda as reivindicações, pois é ela que tem inclusive o poder de veto no caso do Congresso votar favorável ao PL 4330. E não adianta querer tapar o sol com a peneira, o PL da terceirização é de autoria de Sandro Mabel, deputado do PMDB, base aliada do próprio governo Dilma, partido da burguesia e do vice da presidente, Michel Temer. Diante disso a CUT se silencia e não exige que o governo rompa com o partido no qual foi originado tal projeto, ao contrário, a CUT começa a buscar uma via negociada, a frio, ao invés de mobilizar e preparar a GREVE GERAL em todas as fábricas e locais de trabalho.

Desse mato não sai coelho: a força dos trabalhadores está na paralisação da produção

Não podemos cair no canto da sereia. Atos esvaziados não mudarão a votação no Congresso Nacional. Só uma fortíssima GREVE GERAL organizada pela CUT e as outras centrais, poderá impor ao governo que ele mude de política e deixe de ser subserviente ao PMDB. Só a força da greve poderá fazer com que o governo rompa com a burguesia e faça uma verdadeira limpeza nos ministérios, demitindo todos os burgueses. Dilma não pode ouvir a voz das ruas se ela permanece aliada aos inimigos da classe trabalhadora! Fora Ministros Capitalistas: essa é a exigência que a Esquerda Marxista apresenta ao PT e ao governo, atendimento das reivindicações já!

É necessário que a CUT prepare para o dia 30/08/13 um dia de GREVE GERAL de fato. Para isso deve começar a criar as condições para que neste dia o país fique completamente parado. As mesas de negociações convocadas pelo governo servem apenas para criar uma falsa expectativa entre os trabalhadores, como se dessa conversa amigável pudesse sair algo que possa contemplar os anseios dos trabalhadores. Estas mesas são de enrolação e pretendem envolver as direções do movimento sindical para convencê-las a aceitar uma avalanche de ataques em troca de promessas vazias e eventuais migalhas.

Dia 30 de agosto, dia de Greve Geral, nenhuma concessão aos patrões e aos empresários. A direção da CUT tem a responsabilidade de efetivamente prepará-la na base. Só assim a voz das ruas será ouvida. E, se ela não for ouvida, a CUT deve estar preparada e disposta para convocar e organizar uma GREVE GERAL muito mais ampla e de maior duração. Os empresários não serão derrotados sem a firme disposição da direção. Os trabalhadores estarão ao seu lado.

 

PREPARAR A GREVE GERAL, FORA MINISTROS CAPITALISTAS!

ATENDIMENTO DAS REIVINDICAÇÕES JÁ!

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