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A CUT, o governo e um “encontro para chamar de seu”

Há poucos dias atrás um grupo de dirigentes sindicais da CUT filiados ao PT divulgou uma convocatória para um “Encontro de sindicalistas petistas”. Nesta convocatória, encabeçada por Vagner Freitas, reeleito recentemente para a presidência da CUT, é reafirmado o Manifesto “O PT de volta aos trabalhadores” divulgado no Congresso do PT. Mas a política anunciada no Manifesto e reafirmada nesta convocatória ajuda os trabalhadores?

Há poucos dias atrás um grupo de dirigentes sindicais da CUT filiados ao PT divulgou uma convocatória para um “Encontro de sindicalistas petistas”. Nesta convocatória, encabeçada por Vagner Freitas, reeleito recentemente para a presidência da CUT, é reafirmado o Manifesto “O PT de volta aos trabalhadores” divulgado no Congresso do PT (http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/183812/Sindicalistas-pressionam-PT-contra-%E2%80%9Cprofunda-crise%E2%80%9D.htm). Mas a política anunciada no Manifesto e reafirmada nesta convocatória ajuda os trabalhadores?

O Manifesto declara que “É certo que na última década a classe trabalhadora teve ganhos significativos. Foram adotadas políticas econômicas e sociais positivas para a maioria do povo brasileiro, como a valorização do salário mínimo e a criação de 22 milhões de novos empregos formais.” Ou seja, parte de um balanço positivo do governo Lula, esquecendo-se de que as estatais privatizadas por FHC não foram reestatizadas, que foi feita a reforma da previdência que atacou duramente os servidores públicos, que o fator previdenciário foi mantido, que várias privatizações foram realizadas, que a Reforma Agrária não saiu do papel, que a jornada de 40h semanais ficou só nas palavras e que as famílias continuam sem casas.

Os sindicalistas que assinam o manifesto colocam pontos corretos, como a posição contrária às MPs 664 e 665, o PL 4330 e a avaliação de que Dilma realizou uma “guinada política” ao prometer uma coisa na eleição e fazer outra após a vitória. Além da avaliação de que a direção do PT, ao apoiar essa política, “coloca o PT contra a classe trabalhadora e as camadas populares que sempre foram sua principal base de apoio”.

Ao mesmo tempo, propõem como saída “uma agenda política positiva, que tenha no centro a valorização do trabalho, com uma política econômica anti-neoliberal que implica a democratização do Estado e a realização de reformas estruturais (reforma política democrática, reforma agrária, reforma tributária e democratização da comunicação)”.

Uma saída que nada tem a ver com a luta pelo socialismo, apenas uma tentativa canhestra de manter o capitalismo com menos exploração. E é neste sentido que os sindicalistas declaram que “É nosso dever, como dirigentes sindicais petistas, defender a classe trabalhadora”.

Dizem que a prática é o critério da verdade. No dia 18 de novembro o Congresso Nacional votou um veto de Dilma à lei da aposentadoria que impedia o reajuste dos salários dos aposentados conforme o reajuste do salário mínimo. Nas galerias, nenhum sindicalista da CUT para defender os trabalhadores. Nos dias anteriores, nenhum manifesto ou organização da CUT para defender os trabalhadores. Nas páginas da CUT, o apoio à marcha das mulheres negras, que seguia pela esplanada, como se o que se votou no congresso nada tivesse a ver com elas, como se a maioria dos aposentados desse Brasil imenso não fossem de trabalhadores negros.

Agora, no dia 25 de novembro, a CUT publica a notícia sobre a reunião da sua Executiva eleita recentemente (http://cut.org.br/noticias/cut-manifesta-preocupacao-com-o-avanco-do-conservadorismo-6041/). Nesta reunião, um dos dirigentes da greve dos petroleiros é citado, sem nenhuma crítica:

“Neste ano, os petroleiros abriram mão de uma paralisação para reinvindicação salarial para pedir a retomada da Petrobrás. Percebemos que alguns gestores da empresa quiseram usar a greve para desgastar o governo”, explicou. “É necessário que qualquer investimento da Petrobrás no Brasil, tenha um percentual mínimo de conteúdo nacional, garantindo assim, a contratação de trabalhadores no Brasil”, afirmou Roni.

Em outras palavras, a greve estaria sendo “usada” contra o governo! Típico argumento de quem se coloca contra a greve, que trabalha pelo seu fim, como aconteceu com a direção da FUP. 

Por último a Executiva da CUT decide aderir ao Compromisso Nacional pelo Desenvolvimento que propõe “retomar o investimento público e privado em infraestrutura produtiva, social e urbana; para combater a corrupção e preservar o emprego, o plano sugere destravar o setor de construção pesada, por meio de acordo de leniência, que garantam a penalização dos responsáveis e a segurança jurídica das empresas; adotar políticas de fortalecimento do mercado interno para a preservação do emprego e renda.” Sobre a luta pelos direitos dos trabalhadores, os ataques à previdência, sobre a manchete que todos os jornais destacaram da possibilidade de adiar o reajuste do Salário Mínimo, sobre estas questões a direção da CUT se cala.

Sim, todas as lutas são justas. Mas a direção da CUT que fez aprovar em seu congresso o apoio ao PPE e que convoca um encontro de sindicalistas com base em um manifesto rebaixado e que nem o que nele está escrito é cumprido, esta direção não serve para impulsionar a luta dos trabalhadores. Os sindicalistas cutistas que se mantêm fiéis à luta de classes sabem que é necessária uma nova corrente sindical que reúna militantes e sindicatos cutistas, pela base, com democracia e luta pelo socialismo, para ajudar os trabalhadores em suas lutas em defesa dos seus direitos, que não se renda aos acenos de governantes e empresários.

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