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A crise que ronda o mundo

Como previmos na Resolução Política da Conferência da Esquerda Marxista, em Abril, a crise norte-americana começou com a explosão da bolha imobiliária e já atinge todo o mundo.

Que ninguém se engane. As declarações de Lula e Mantega garantindo a “blindagem” do Brasil por causa da enorme disponibilidade de dólares em caixa são apenas bobagens e discurso para tentar acalmar o mercado. Não há “capitalismo em um só país”.

O capitalismo é um sistema mundial único e os EUA, ao mesmo tempo em que concentram em si toda a força, integram também em si mesmo todas as contradições e perigos da bancarrota deste sistema social miserável.

Enquanto Lula e seu ministro do Planejamento dizem bobagens, a vida real continua. Desde Maio, após os primeiros sinais de problemas nos mercados, os investidores estrangeiros já vinham desmontando posições no Brasil. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a posição dos investidores internacionais em dólar caiu de US$ 17,826 bilhões para US$ 1,328 bilhões, de maio a agosto.

Os bancos também fizeram uma redução drástica nas captações de curtíssimo prazo, que estavam financiando operações de arbitragem entre as altas taxas de juros domésticas e no exterior. A posição vendida dos bancos em câmbio passou de US$ 15,790 bilhões para US$ 2,740 bilhões entre maio e julho.

O Financial Times, o mais prestigioso jornal financeiro do mundo, afirma que “após uma alta prolongada, os eventos ainda não dão nenhuma grande razão para temer um mercado em baixa”, mas que “essa correção pode se transformar em algo pior. Os mercados emergentes podem sofrer mais do que os outros, mas isso vai depender principalmente dos países desenvolvidos e particularmente dos Estados Unidos e de seu mercado de crédito”.

Há evidentemente um esforço para acalmar os especuladores, mas as declarações não podem esconder a realidade. Mesmo que eles encontrem mecanismos imediatos de postergar a crise imensa que se gesta no ventre do monstro, eles não podem resolvê-la. As massas continuam lutando e a situação continua alimentando a conjuntura revolucionária que varre as Américas.

No Brasil a crise se esconde sob o tapete das imensas inversões de capital
internacional e das medidas de ampliação artificial do crédito, mas ela se desenvolve e isto acentua o caráter reacionário do Governo de Coalizão, que avança novas e mais duras medidas contra o povo.

É por isso que se expande a criminalização dos movimentos e os ataques. Acontece que estamos vendo como contrapartida um aumento das mobilizações e das dificuldades do governo e da direção do PT para controlar o movimento operário. Dois exemplos são: O Encontro sindical do PT (organizado burocraticamente e de cúpula) onde o governo Lula foi profundamente criticado e Marinho teve que cancelar sua presença. E a presença de mais de vinte mil manifestantes levados pela CUT a Brasília, em 15/08/07, com reivindicações justas e todas diretamente contra
o governo e sua coalizão.

Como conclusão podemos afirmar que, sob pressão das bases, a crise entre o governo e o movimento operário vai aumentar. A única política que interessa à classe trabalhadora é a luta pelo socialismo, pela ruptura do governo de coalizão e pelas reivindicações. As campanhas da Esquerda Marxista (Tirem as mãos da Venezuela; contra o pretenso “Estatuto da Igualdade Racial”; Pelo Fim da Intervenção nas Fábricas Ocupadas e outras) encontram nesta situação muito oxigênio e se desenvolvem positivamente para ajudar a abrir uma saída para a classe trabalhadora.

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