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A Crise da Mercedes-Benz em São Bernardo! Lutar para garantir o não fechamento da fábrica, garantir todos os postos de trabalho

Assembleia realizada no dia 15, em São Bernardo

No ultimo domingo (15/09) em São Bernardo do Campo, 7 mil trabalhadores reuniram-se em assembleia do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para iniciar a luta contra a ameaça de transferência da planta da Mercedes-Benz de São Bernardo, para a cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Um golpe duro não só para as centenas de pais e mães de famílias, jovens que ali trabalham, mas também um duro golpe para o movimento operário brasileiro que tem no ABC o seu coração pulsante. 

Assembleia realizada no dia 15, em São Bernardo

No ultimo domingo (15/09) em São Bernardo do Campo, 7 mil trabalhadores reuniram-se em assembleia do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para iniciar a luta contra a ameaça de transferência da planta da Mercedes-Benz de São Bernardo, para a cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Um golpe duro não só para as centenas de pais e mães de famílias, jovens que ali trabalham, mas também um duro golpe para o movimento operário brasileiro que tem no ABC o seu coração pulsante. 

A presente ameaça não se trata de um fato isolado e casual. É sim consequência direta da crise econômica do capitalismo que explodiu em 2008 e começa a bater com força no Brasil. O momento agora é de alerta total para os trabalhadores metalúrgicos de São Bernardo e de todo o país. Somente a mais ampla unidade dos trabalhadores poderá garantir que não ocorra o fechamento da planta no ABC.

O fechamento da planta da Mercedes de São Bernardo, onde está há várias décadas, era algo impensável até pouco tempo atrás. Porém tanto a burguesia quanto os reformistas têm em comum a prática de ignorar o movimento dialético da história demonstrado por Karl Marx e várias vezes provado e comprovado pelos fatos históricos: não existe emprego, salário, ou direito que não possam ser destruídos pelo capital. Os capitalistas fazem de tudo para garantir e manter suas taxas de lucro, sempre, e especialmente em períodos de crise, não hesitarão em jogar seu peso no lombo dos trabalhadores.  

Por outro lado, também não existe limite de até onde podem ir os trabalhadores na luta para manter ou ampliar seus direitos. Se tivessem à sua frente uma direção independente, combativa e consequente, que fizesse a defesa radical dos interesses dos trabalhadores frente ao patronato e ao governo, sua força quebraria a sanha dos capitalistas. O Sindicato e os trabalhadores tomariam a fábrica para se defender. Isso seria um movimento em legítima defesa. Seguiriam o exemplo do Movimento Nacional das Fábricas Ocupadas, que a partir 2002, ocuparam dezenas de fábricas em todo o país, contra os processos de mudança de plantas ou de falências. As fábricas foram ocupadas pelos trabalhadores que exigiram do governo Lula a sua estatização e o controle operário como forma de manter os empregos. Infelizmente o governo Lula lhes virou as costas, deixando-os isolados e ainda permitiu a intervenção da Polícia Federal, que, armada até os dentes abriu as portas para um interventor que demitiu centenas de trabalhadores e pela força desmantelou o Conselho de Fábrica da Cipla em Joinville, no estado de Santa Catarina.

O movimento iniciado pela ocupação da Cipla e da Interfibras tem ainda hoje o exemplo vivo desta luta na fábrica Flaskô que resiste até hoje, ocupada e sob controle operário, mesmo que não estatizada nem por Lula e nem por Dilma. Este Movimento teve grande repercussão nacional e internacional, pois pela primeira vez em muitos anos, colocou em questão aquele o ponto nevrálgico do sistema capitalista que é a propriedade privada dos grandes meios de produção. 

A história sobre o Movimento das Fábricas Ocupadas no Brasil pode ser conhecida através do link http://marxismo.org.br/?q=content/10-anos-do-movimento-das-fabricas-ocupadas, os trabalhadores da Mercedes devem se mirar neste exemplo. A CUT e o Sindicato, não podem vacilar. Só uma ação audaz e unitária que coloque de pé o ABC poderá barrar a destruição do parque fabril e o fechamento de milhares de postos de trabalho. Se o Sindicato quiser, se explicar aos trabalhadores de todo ABC o que está ocorrendo, certamente eles se erguerão como uma só classe e a Mercedes não será fechada. A estabilidade no emprego deve ser uma exigência imediata. Dilma deve garantir isso já! O Sindicato deve exigir dela que garanta todos os empregos e estatize a fábrica. Recursos do BNDES existem para dar prosseguimento na produção estatizada, financiando a produção controlada pelos trabalhadores e não mais pelos capitalistas.

A palavra de ordem, do Movimento das Fábricas Ocupadas que expressava o sentimento de cada trabalhador em luta era “fábrica quebrada é fábrica ocupada; e fábrica ocupada é fábrica que deve ser estatizada e que deve ser colocada sob controle dos trabalhadores”. Essas palavras devem orientar a luta de todos que combatem os efeitos nefastos da crise do capital. Os trabalhadores da Mercedes Benz devem e podem exigir do Prefeito, dos parlamentares, da presidente Dilma, a estatização da fábrica. Quando foi para salvar os banqueiros e empresários, Lula e Dilma deram dinheiro a rodo aos ricaços. Agora é chegada a hora dos trabalhadores gritarem: Nós não pagaremos pela crise do capitalismo. Que paguem os patrões!

Todo apoio à luta dos trabalhadores metalúrgicos do ABC! A Mercedes Benz não será fechada! A luta deve ser por: estabilidade já! Estatização!

Operários da Mercedes Benz, operários do ABC, os trabalhadores do Brasil estão com vocês! Os militantes da Esquerda Marxista de São Bernardo desejam sinceramente que vocês tomem em suas mãos seus próprios destinos, exijam da direção do Sindicato a mais firme luta! O Sindicato é de todos os trabalhadores! Reergam o ABC de lutas dos anos 80! Aí nasceram o PT e a CUT, vocês saberão honrar seu passado e garantirão seu futuro!

 

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