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A burguesia declara guerra a Jeremy Corbyn

Em meio às conturbações provocadas pela escolha do Brexit, a burguesia imperialista quer Corbyn fora do cenário político inglês.

O Financial Times, um dos jornais mais importantes do capital financeiro, expressou, sem meias palavras, a tarefa do dia para os burocratas do Labour Party: o Labour deve agora agir para remover Corbyn. Curto e grosso! Outros jornais londrinos lançaram manchetes de igual teor.

Tamanha franqueza não é sem motivo. Já a alguns anos a Grã-Bretanha vê sua sociedade cada vez mais dividida, com cada ataque à direitos trabalhistas e estudantis sendo respondido vigorosamente pela população nas ruas. Como a crise econômica ainda está começando, e muita austeridade ainda vai passar por baixo da ponte, o nervosismo da classe dominante e da cômica família real é mais do que evidente.

E não são apenas os protestos de rua que tiram o sono da rainha. A vitória do plebiscito que decidiu, por margem considerável, pela saída do Reino Unido da União Europeia promete ampliar a polarização. E não apenas na sociedade! Na Escócia, onde o voto pela permanência venceu, os nacionalistas já vislumbram uma segunda chance para a campanha de independência, derrotada por estreita margem em outro plebiscito que dividiu o país, em 2014.

Nesse contexto tão nebuloso, a presença de Corbyn na liderança do Labour, defendendo propostas que atraíram e mobilizaram centenas de milhares de jovens e trabalhadores por todo o país, é uma ameaça terrível para o establishment britânico. Daí a reação dos jornais burgueses, normalmente polidos e cuidadosos, em clamar pela sua remoção imediata do partido.

Mas a juventude e os trabalhadores já se mostraram dispostos a defendê-lo. Afinal, seu mandato foi conquistado graças a uma inédita participação maciça de jovens trabalhadores no processo eleitoral interno do Labour. Muitas das propostas de Corbyn são apoiadas pelos marxistas, por isso estamos engajados, ao lado de centenas de milhares de ativistas, na defesa de suas ideias contra os ataques da burguesia, sua imprensa e seus agentes dentro do Labour.

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