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75 anos da IV Internacional

Em 3 de setembro de 1938 na cidade de Périgny, França, realizou-se o Congresso de Fundação da IV Internacional. Leon Trotsky, que viria a ser assassinado no mês agosto de 1940, pelo agente stalinista Ramón Mercader, dirigiu-se então a seus camaradas participantes do Congresso por meio de uma gravação onde afirmava: “Nosso objetivo é a total libertação material e espiritual dos trabalhadores e dos explorados através da revolução socialista. Se nós não a fizermos, ninguém a preparará, nem a dirigirá”.

O mundo vive hoje uma crise descomunal do capitalismo. As organizações operárias de todo mundo, dirigidas por reformistas ou ex-stalinistas, desde há muito, não podem mais dar as respostas necessárias para fazer avançar o movimento operário em direção ao socialismo. Passaram para o terreno da burguesia. As organizações que se reivindicam herdeiras do legado da IV Internacional, enveredaram pelo campo da burguesia ou para o sectarismo. Dilacerando-se em uma multiplicidade de agrupamentos, cada qual a seu modo, não compreendendo o significado da crise de direção e o papel das direções tradicionais, ergueram verdadeiras seitas no interior do movimento operário, dificultando ainda mais a luta pela construção do partido mundial do proletariado.

A partir de 2008, as grandiosas manifestações e lutas realizadas pelos trabalhadores em resposta aos ataques desferidos pelos capitalistas para tentar se livrar do ônus da crise, na Espanha, Itália, Portugal, Canadá, EUA, Grécia, Turquia e inclusive no Brasil, invariavelmente encontraram nas direções dos aparelhos tradicionais (dos partidos e sindicatos) verdadeiras barreiras para seu pleno desenvolvimento em direção à revolução. Como disse Trotsky no Programa de Transição: “A crise atual da civilização humana é a crise da direção do proletariado. Os operários avançados, reunidos no seio da IV Internacional, mostram à sua classe o caminho para sair da crise. Propõem-lhe um programa baseado sobre a experiência internacional da luta emancipadora do proletariado e de todos os oprimidos do mundo. Propõem-lhe uma bandeira sem mácula alguma”. Segue aberta a batalha pela construção do partido revolucionário. 

O Programa de Transição, redigido por Trotsky e aprovado pelos delegados presentes no Congresso de fundação da IV Internacional, segue sendo o elo entre as lutas revolucionárias da classe operária do passado e as lutas de hoje, exigindo a unificação da vanguarda revolucionária em todo o mundo, sob a base de um programa de independência de classe e marxista, para libertar a humanidade do jugo do capital e inaugurar a era do socialismo.

Trotsky, em sua carta dirigida ao Congresso de fundação da IV Internacional, dizia: “durante os próximos dez anos, o programa da Quarta Internacional se transformará no guia de milhões de pessoas, e estes milhões de revolucionários saberão como mover o céu e a terra”. Isso não se realizou. O stalinismo saiu fortalecido da Segunda Grande Guerra Mundial; os sectários viram o fim da guerra como o desabrochar sem fim de uma era revolucionária; o capitalismo, sob a base da destruição massiva das forças produtivas, se recompôs. A previsão não se realizou, no entanto, segue sendo o Programa da IV Internacional, por excelência, a ferramenta que permite aos proletários moverem o céu e a terra.  

A Esquerda Marxista e a Corrente Marxista Internacional, continuam na batalha para se aproximar da juventude e da vanguarda operária, para erguer o Partido Revolucionário como parte da obra de emancipação da classe que será realizada por ela mesma em nível mundial.

O Programa de Transição combina as reivindicações imediatas com a luta pelas reivindicações que permitam à classe avançar em direção ao poder. “A IV Internacional não rejeita as reivindicações do velho programa mínimo, à medida que elas conservaram alguma força vital. Defende incansavelmente os direitos democráticos dos operários e suas conquistas sociais. Mas conduz este trabalho diário ao quadro de uma perspectiva correta, real, ou seja, revolucionária. À medida que as velhas reivindicações parciais mínimas das massas se chocam com as tendências destrutivas e degradantes do capitalismo decadente – e isto ocorre a cada passo -, a IV Internacional avança um sistema de REIVINDICAÇÕES TRANSITÓRIAS, cujo sentido é dirigir-se, cada vez mais aberta e resolutamente, contra as próprias bases do regime burguês. O velho programa mínimo é constantemente ultrapassado pelo PROGRAMA DE TRANSIÇÃO, cuja tarefa consiste numa mobilização sistemática das massas em direção à revolução proletária.”

Essa é a luta da Esquerda Marxista. Convidamos a todos os nossos leitores, para, neste mês de setembro, onde comemoramos os 75 anos de fundação da IV Internacional, a participarem de nossas reuniões para juntos darmos continuidade aos ensinamentos do marxismo, consubstanciados no Programa de Transição. 

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