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50 anos da Revolução Cubana

Hoje, a defesa da revolução passa pelo desenvolvimento da revolução venezuelana e na América Latina.

Em janeiro de 2009 completaram-se 50 anos da Revolução Cubana, prova inequívoca da valentia da população desta ilha heroica; contraditoriamente, o último país da América Latina a conquistar sua independência política foi o primeiro a eliminar a propriedade privada dos meios de produção em seu território.

A Revolução Cubana foi mais uma brilhante confirmação prática da Teoria da Revolução Permanente. A burguesia cubana já era incapaz de realizar o seu programa democrático e o rejeitou, isto é, desistiu de cumprir o seu papel progressista. Os revolucionários cubanos, então, realizaram as tarefas da revolução democrática burguesa, sem a burguesia, e foram obrigados a ultrapassá-las enveredando no programa socialista para manterem a aliança do proletariado urbano com o campesinato, sob a égide da ditadura do proletariado, a única classe que poderia dar uma direção ao país.

É um equívoco pensar que a guerrilha foi o único elemento da Revolução Cubana. De fato a guerrilha assumiu a direção do movimento, mas a atuação da guerrilha por si só não explica a Revolução Cubana, que teve como protagonistas também a classe trabalhadora e os pobres urbanos, os estudantes e os trabalhadores rurais, que à época já eram em grande parte trabalhadores assalariados.

Na década de 1930, 16,4% da população eram formados por trabalhadores urbanos, 57% dos cubanos viviam nas cidades, e Havana era uma das principais metrópoles da América Latina. Na década de 1940 o Partido Comunista Cubano (PCC) chegou a ter 80.000 militantes, em uma população de seis milhões. Apesar disso, o PCC não foi capaz de jogar um papel progressista nos movimentos grevistas de 1933 que derrubaram a Ditadura de Machado. Neste momento o PCC adotava a política de conciliação de classe ditada pela Internacional Comunista, já completamente estalinizada, participando do chamado governo dos 100 dias formado após a queda da Ditadura de Machado, do qual também fazia parte Fulgêncio Batista.

Durante a segunda Ditadura de Batista, em 26 de julho de 1953 acontece o mal sucedido assalto ao Quartel Moncada. Apesar do fracasso da ação, revela-se a brutalidade da ditadura, o que serviu para pôr em movimento os estudantes e trabalhadores da ilha unidos numa só luta. Serviu também para dar relevo à figura de Fidel Castro, que é anistiado e depois exilado, em maio de 1955, no México, onde passa a preparar o retorno a ilha. Foi neste momento que se forma o Movimento 26 de julho. Em dois de dezembro de 1955 o grupo de Fidel desembarca em Cuba, muitos são assassinados, mas a guerrilha sobrevive.

No período de 1955 a 58, a guerrilha se fortalece a ponto de estar em condições de tomar o poder em dezembro de 1958. Ante a iminente vitória da guerrilha, a burguesia tenta uma última manobra: estabelecer um regime militar sem Batista. Consciente do perigo, Fidel Castro responde com um chamado a greve geral, que dura quatro dias, do dia 1º a 4 de janeiro de 1959. No dia 2, Che Guevara e Camilo Cienfuegos entram em Havana e Fidel chega à capital no dia 8 de Janeiro.

Em seu início a revolução possuía um programa democrático avançado, de libertação nacional e reforma agrária, com um forte conteúdo social. Enquanto a Revolução não possuía um caráter Socialista, ela contou com a “ajuda” de diversos capitalistas “progressistas”, inclusive Fidel foi aplaudido por banqueiros norte-americanos. Mas com o avanço da revolução ficou evidente que não era possível atender as demandas da população sem atacar a propriedade dos capitalistas, que de “progressistas” passaram a sabotar a revolução, praticando atos terroristas, sabotagem econômica, incitavam a guerra civil e as tentativas de invasão. Tudo isso, por sua vez, obrigou a radicalização da revolução.

No final de 1959, Che Guevara é nomeado presidente do Instituto Nacional da Reforma Agrária e do Banco Nacional, um sinal inequívoco do giro à esquerda. Em março de 1960 são demitidos os últimos conservadores que estavam no governo. Neste mesmo ano vão sendo decretadas progressivamente as nacionalizações das empresas estrangeiras, dos bancos estrangeiros e de todo o setor açucareiro. Foi a invasão imperialista da Praia de Girón, em abril de 1961 (Kennedy já era o presidente), que galvanizou definitivamente o processo. O governo revolucionário armou efetivamente as massas, e foi neste momento que Fidel proclamou o caráter socialista da revolução. A nacionalização e a planificação econômica permitiram avanços sociais espetaculares e consolidou ainda mais o apoio à revolução.

Com o rompimento com o capitalismo foi inevitável a aproximação com a União Soviética. O comércio entre os dois países era feito em condições favoráveis para Cuba, o que permitiu o desenvolvimento da ilha. Porém, a política de “coexistência pacífica” ditada por Moscou restringiu a luta pelo socialismo à ilha. Era um obstáculo intransponível para os revolucionários internacionalistas de Cuba, como Che Guevara, que deixa a ilha e passa a lutar em outros países.

Infelizmente o êxito da guerrilha cubana levou a conclusões erradas uma geração inteira de revolucionários, que pagaram com suas vidas ao transpor mecanicamente a experiência cubana a outros países, um deles o próprio Che Guevara. Cabe enfatizar que os métodos da guerrilha não são os métodos da classe trabalhadora, esta sim a única classe revolucionária. Os métodos da classe trabalhadora são as greves, greves gerais, manifestações de massas e ocupações de fábricas.

Com a queda da URSS, no final da década de 1980, Cuba passou por um momento muitíssimo delicado: cerca de 80% de seu comércio exterior se dava com a URSS; no período de 1989 a 1993 o PIB cubano caiu 35%. Enquanto na URSS os burocratas restauravam o capitalismo e tornavam-se os novos capitalistas, mediante o roubo e o espólio da propriedade estatal, em Cuba a revolução resistiu e rejeitou o capitalismo. Foi um período muito difícil, onde Cuba esteve, e ainda está, submetida a um pavoroso bloqueio econômico estabelecido pelo imperialismo EUA; porém as dificuldades fizeram reviver o espírito revolucionário, e não se deve reduzir o importante papel de Fidel Castro neste difícil período.

Hoje a Revolução Cubana encontra-se ante o dilema de defender suas conquistas ou ceder às pressões externas e caminhar em direção à economia de mercado, como a China. O próprio Fidel em 2005, em um de seus últimos discursos antes de deixar o poder, na Universidade de Havana, alertou sobre o perigo interno; a Revolução poderia ser derrotada desde dentro, e assinalou como problemas centrais a burocracia, a corrupção e os novos ricos.

Hoje, especula-se muito sobre qual caminho a ilha tomará sob a direção do “pragmático” Raúl Castro. Independente da direção a ser tomada, é pouco provável que os cubanos abram mão facilmente dos avanços da revolução, como: educação e saúde gratuitas; taxa de alfabetização de 99,8%; expectativa de vida de 77,7 anos; taxa de mortalidade infantil de apenas 5,93 em mil nascimentos; 5,91 médicos por mil habitantes, a segunda melhor taxa do mundo.

E vale ressaltar os indícios do rearmamento ideológico da Revolução Cubana. Em Outubro de 2007, no 90º aniversário da Revolução Russa, reuniram-se 500 jovens para discutir a herança silenciada da Revolução Russa, inclusive a de Trotski. Foi importante também, a grande audiência da apresentação por parte da Fundación Federico Engels de A Revolução Traída, de Leon Trotski, na Feira do Livro de Havana.

Viva a Revolução Cubana!
Viva a Revolução Mundial Socialista!

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