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10 de junho: Fora Temer e o Congresso Nacional

Conheça o conteúdo do panfleto que será distribuído pela Esquerda Marxista nos protestos de 10 de junho.

Logo que assumiu o governo, Michel Temer prometeu tudo para a burguesia: uma Reforma da Previdência para implementar a idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres e o fim da vinculação do reajuste das pensões com o reajuste do salário mínimo, Reforma das leis trabalhistas, liberação da terceirização, que o negociado prevaleça sobre o legislado, mais cortes em saúde, educação, etc.

No entanto, até agora, este governo fraco e ilegítimo não conseguiu entregar nada disso. O único projeto que Temer conseguiu aprovar foi o aumento do déficit orçamentário para 170 bilhões, um cheque em branco que o Congresso alegremente votou, esperando cobrar a fatura nas próximas votações, inclusive na votação final do impedimento de Dilma no Senado.

O governo bate cabeça entre si, enquanto as manifestações seguem pelo país. A juventude enche assembleias e atos. Fica cada vez mais evidente para o conjunto da população que o consórcio de homens “notáveis” do novo governo, só é notável pelo apego a regalias, privilégios e poder. Alguns casos vazam em conversas gravadas, outros são mais cuidadosos, ou são preservados na seletividade que marca a Operação Lava Jato.

A economia continua mal. A crise mundial continua e o Secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew, declara que, na China, o “excesso de capacidade”, termo dos analistas burgueses para superprodução, tem um efeito “corrosivo” para a expansão da economia chinesa trazendo efeitos globais (Agência Reuters). No Brasil, o setor automotivo prevê queda de 19% das vendas em 2016. O mercado de trabalho não cresce nos EUA e o desemprego campeia no Brasil, são 11,4 milhões de trabalhadores em busca de emprego no país, segundo o IBGE.

A burguesia quer jogar a crise do sistema nas costas dos trabalhadores, esse é o sentido do ajuste fiscal. As novas regras do seguro desemprego implantadas por Dilma em 2015 deixaram 400 mil trabalhadores de fora do sistema.

Enquanto isso, a crise do governo Temer aumenta, com o Procurador-Geral da República (Rodrigo Janot) pedindo a prisão de Sarney, Jucá, Cunha e Renan.

Temer elogia a votação na Câmara dos Deputados que reajusta salários de servidores e dos juízes, enquanto o Ministério da Fazenda critica esta votação, por contrariar o ajuste fiscal. Este episódio revela um pouco mais sobre o frágil governo. Temer tenta, por um lado, afagar a cúpula do judiciário e, por outro, ganhar um pouco de “paz social” na máquina pública, cumprindo os acordos que Dilma assinou com os sindicatos de servidores. A maioria deles prevê reajustes de 10% em dois anos, o que não repõe a inflação passada de 3 anos (27%) e é bem abaixo da inflação prevista para este ano e o próximo.

Ainda assim, Henrique Meireles não pode aceitar tais medidas, pois o aumento de gastos manda um sinal negativo “para o mercado”. Também é colocado em votação o aumento dos juízes (de 16%) com um ministro do STF passando a ganhar mais de 39 mil reais e um auxílio moradia de mais de 4 mil reais. Pressionado, os aliados de Temer no Senado querem rever tudo isso, embora ponderem que é preciso votar o reajuste dos servidores e não aprovar o dos juízes. No meio de toda esta confusão, é pedida a prisão de quatro membros da cúpula do PMDB. A crise vai alta e a única certeza é que cada um procura salvar o seu.

Todo este clima leva a CUT a chamar a preparação de uma greve geral. Pra quê? Pela volta de Dilma e da democracia? Mas o fato é que todos estes ataques que Temer apresenta foram arquitetados já no governo Dilma. Para que a classe trabalhadora, que está desconfiada de todos estes políticos, com seus séquitos de seguranças, de carros oficiais, de jatos da FAB e jatinhos de empresários, se coloque em movimento, a pauta de uma mobilização geral tem que ser outra (ver abaixo nossas propostas).

A Esquerda Marxista convida os trabalhadores a discutir e combater por esta pauta, nas assembleias e reuniões que a CUT e demais centrais estão chamando. Com estas bandeiras participamos das mobilizações do dia 10 de junho pelo “Fora Temer!”. Convidamos todos os trabalhadores e jovens a juntarem-se ao nosso combate, pelo fim deste governo e por uma saída socialista para o Brasil e o mundo.

  • Estabilidade no Emprego; Estatização de toda empresa que demitir em massa;
  • Reajuste automático dos salários de acordo com a inflação;
  • Fim do PPE, redução da jornada sem redução dos salários.
  • Não pagamento da dívida externa e interna
  • Estatização, sob controle dos trabalhadores, de todas as empresas envolvidas com a corrupção
  • Reversão de todas as privatizações;
  • Em defesa da Previdência Pública, revogação de todas as Reformas da Previdência;
  • Dinheiro para saúde e educação, públicas, gratuitas e para todos. Estatização, sob controle dos trabalhadores, dos planos de saúde, laboratórios e hospitais privados
  • Fora Temer e o Congresso Nacional! Por uma Assembleia Popular Nacional Constituinte! Por um governo dos trabalhadores!

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