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10 anos do Movimento das Fábricas Ocupadas: Vitória!

 

No dia 31 de outubro de 2012 o Movimento das Fábricas Ocupadas (MFO) completou 10 anos. Há dez anos os trabalhadores das fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, tomavam uma decisão histórica – ocupar a empresa, retomar a produção sob controle operário, sem os patrões, lutando pela estatização das fábricas, garantindo os postos de trabalho, a defesa dos direitos sonegados, a defesa da dignidade humana, contra a ameaça concreta do desemprego, com uma perspectiva socialista.

No dia 31 de outubro de 2012 o Movimento das Fábricas Ocupadas (MFO) completou 10 anos. Há dez anos os trabalhadores das fábricas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, tomavam uma decisão histórica – ocupar a empresa, retomar a produção sob controle operário, sem os patrões, lutando pela estatização das fábricas, garantindo os postos de trabalho, a defesa dos direitos sonegados, a defesa da dignidade humana, contra a ameaça concreta do desemprego, com uma perspectiva socialista.

Acompanhando os elementos mais centrais do marxismo e das experiências históricas do movimento operário internacional, buscando a implementação de conquistas sociais da classe trabalhadora, com a denúncia do caráter do Estado, da mesma forma que apontavam os limites da economia solidária e se recusavam o caminho do cooperativismo, esses trabalhadores anunciavam um caminho coerente, em defesa da expropriação dos meios de produção. É com orgulho que saudamos o papel fundamental exercido pela Esquerda Marxista em todo esse processo de luta.

Com esse espírito, nessa data, realizamos um ato solene na Câmara Municipal de Joinville, contando com a presença de dezenas de trabalhadores e apoiadores do MFO, reforçando a perspectiva de luta da estatização sob controle operário. Denunciamos a criminosa intervenção ocorrida há cinco anos, acabando com a gestão dos trabalhadores da Cipla e Interfibra, com o apoio de toda a burguesia. (veja mais em: http://marxismo.org.br/?q=blog/2012/11/02/em-joinville-ato-comemora-os-10-anos-do-movimento-das-f%C3%A1bricas-ocupadas).

Diferentes percursos, um só objetivo!

Desde a ocupação da Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, no dia 31 de outubro de 2002, o MFO se conformou em luta, na porta de cada fábrica em greve ou em situações de fechamento da empresa. Em ao menos 35 fábricas, realizamos o combate contra os patrões, contra os órgãos do Estado e, muitas vezes, contra os próprios dirigentes sindicais vinculados à prática de “não tem o que fazer…”.

Justamente por manter extrema coerência entre a referência teórica do socialismo científico (e não o socialismo utópico, como se apresenta o ícone da economia solidária – Paul Singer) e a realidade concreta, objetiva e cotidiana da classe trabalhadora, a história do MFO é fantástica, onde se pode verificar de forma cabal o caráter do Estado, que, em última instância, como o “comitê de negócios da burguesia”, ataca uma experiência de luta da classe trabalhadora, de forma direta, como todos sabem, no caso da Intervenção, pondo fim ao controle operário nas Cipla e Interfibra, em Joinville/SC. Além disso, devemos salientar que a própria Secretaria Nacional de Economia Solidária também cumpre com seu papel “solidário” em defesa da burguesia, tendo em vista a simples negação do atendimento de suas reivindicações, “lavando as mãos”, promovendo momentos dramáticos de resistência. Porém, justamente nesses momentos é que a unidade e a solidariedade de classe se fez presente, para além das perspectivas de luta cooptadas pelo grande capital e pelas direções sindicais coniventes com os patrões.

Nesse sentido, o trabalho realizado pelo Cemop, publicando uma edição especial de “10 anos do Movimento das Fábricas Ocupadas”, é de grande importância por apresentar todo esse resgate histórico do MFO e as perspectivas de luta do movimento operário para construção do socialismo. (veja mais em www.memoriaoperaria.org.br e www.fabricasocupadas.org.br).

Perspectivas

Portanto, sempre salientamos que independentemente do número de fábricas ocupadas, o MFO pauta-se como perspectiva de luta, como uma pauta sindical e do movimento operário, integrado aos demais movimentos sociais contra o capital e a propriedade privada dos meios de produção, para além das fronteiras nacionais. Tal caráter internacionalista é de grande importância diante da crise do capital internacional, com grandes embates na dinâmica capital-trabalho, com fábricas sendo fechadas, com medidas de austeridade fiscal e ataques aos trabalhadores pelos mais diferentes governos, temos como resultado o acirramento da luta de classes, que se expressa diferentemente em cada país, mas que encontra sua unidade por escancarar a barbárie instalada pelo capitalismo.

Contra a criminalização do MFO

A criminalização da luta de classes é uma das armas da burguesia contra o movimento operário. Com o MFO, obviamente, não foi diferente. São dezenas de processos por apropriação indébita previdenciária, dano, desacato, resistência à ordem judicial, e, claro, formação de quadrilha. Estamos em campanha contra a perseguição e condenação dos dirigentes do MFO. Todos devem compreender a ofensiva da burguesia contra as organizações e entidades dos trabalhadores. Nesse sentido, é muito importante a campanha aprovada na atividade de 10 anos do MFO em Joinville, apresentada pelo camarada Serge Goulart, Secretário-Geral da Esquerda Marxista e ex-coordenador-geral do MFO. (Veja mais em http://marxismo.org.br/?q=blog/2012/11/02/em-joinville-ato-comemora-os-10-anos-do-movimento-das-f%C3%A1bricas-ocupadas).

Resistência na Flaskô: Desapropriação, Já!

Diante justamente desse quadro conjuntural, a resistência da Fábrica Ocupada Flaskô é de grande importância. Por isso, os trabalhadores da Fábrica Ocupada Flaskô apresentaram o projeto de lei para declaração de interesse social da Flaskô, para fins de desapropriação, e que já foi aprovado por unanimidade na Comissão de Direitos Humanos do Senado, e agora está na Comissão de Constituição e Justiça – PLS nº 257/2012. Todos deverão divulgar e ampliar o debate sobre esse importante para a luta da Flaskô, especialmente porque articulado junto com o outro projeto de lei, também de autoria dos trabalhadores da Flaskô, de que qualquer fábrica que for ocupada possa ser desapropriada. É por isso que a faixa na atividade de 10 anos do MFO reivindica: “Dilma, desapropriação, Já!” (Veja mais em www.estatizaraflasko.org.br).

Dessa forma, resgatando esses 10 anos de luta e resistência, os trabalhadores da Flaskô, que resistem e reafirmam a perspectiva de luta da estatização sob controle operário, como um caminho em defesa da transição socialista e a planificação da economia, com a expropriação dos meios de produção e manter o caráter de classe dos trabalhadores, além de ser a única forma de, concretamente e de forma duradoura, garantir os empregos e as conquistas sociais da classe trabalhadora.

Assessores de Dilma visitam a Flaskô

É nesse sentido que tivemos a importante visita na Flaskô dos assessores da Secretaria da Presidência da República, justamente no último dia 30 de outubro, quando pautamos os 10 anos do MFO. Feijó e Bigode, quadros históricos do movimento sindical, compreenderam melhor a necessidade de apoio à luta da Flaskô, sendo que discutimos alguns encaminhamentos em conjunto para avançar as conquistas do MFO.

Conclusão

Portanto, somente compreendendo essa dialética relação entre teoria e prática é que o MFO analisa sua história objetivando, na verdade, apontar as perspectivas para o futuro, compreendendo o momento decisivo da conjuntura nacional e internacional, cumprindo como um importante ponto de apoio e referência da resistência classista, socialista e revolucionária.

 

“Fábrica quebrada é fábrica ocupada, e que deve ser estatizada sob controle dos trabalhadores!”

Viva a luta dos trabalhadores das Fábricas Ocupadas!

Pela aprovação do PLS 257/2012! Desapropriação, Já!

Contra a criminalização do Movimento das Fábricas Ocupadas!

 

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