Companheiros e companheiras,

É hora de ser verdadeiramente realista, ou o partido e a classe trabalhadora vão pagar muito caro o caos econômico que o sistema capitalista espalha pelo mundo. Ou o PT rompe a coalizão com Sarney, Collor e os partidos capitalistas e toma medidas de defesa da classe trabalhadora ou poderemos perder as eleições de 2010, permitir a volta da direita à Presidência do Brasil, e bloquear o caminho para o socialismo. 

O PT nasceu das grandes lutas contra a ditadura militar e contra a exploração capitalista através das maiores greves e mobilizações de nossa história. O PT nasceu socialista de verdade.

Foi na luta contra a ditadura, pelo emprego, por aumento de salário, na luta pela terra, pela educação pública e gratuita, que se reuniram as imensas forças da classe trabalhadora do campo e da cidade para constituir o Partido dos Trabalhadores e a Central Única dos Trabalhadores, a CUT.

O PT em seu Manifesto de Fundação diz que as massas: “Não esperam mais que a conquista de seus interesses econômicos, sociais e políticos venha das elites dominantes. Organizam-se elas mesmas, para que a situação social e política seja a ferramenta da construção de uma sociedade que responda aos interesses dos trabalhadores e dos demais setores explorados pelo capitalismo”. E mais a frente afirma também: “O PT nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados.” (Manifesto de fundação do PT, 1980). O PT enraizou-se na classe trabalhadora, levantou-se como um gigante reunindo a maioria de oprimidos e explorados e chegou à Presidência do Brasil.

Mas, desde então, uma política apresentada como “realista e prudente” foi aplicada pelo governo do companheiro Lula e sistematicamente apoiada pela maioria da Direção Nacional de nosso partido. Esta política reformista de continuidade da ordem econômica e financeira internacional, de gerenciamento do capitalismo e de remeter o socialismo para “o dia de São Nunca” foi aplicada permanentemente, ignorando todos os ensinamentos da história.

Infelizmente, muitos companheiros acreditaram que os capitalistas diziam a verdade: o socialismo estava morto e o capitalismo triunfante ergueria um mundo de consumo e de alegria para a maior parte da humanidade.  Assim, a maioria da direção do partido e o governo Lula engajaram-se abertamente numa política de embelezamento do capitalismo. Como se fosse realmente possível melhorar a vida da classe trabalhadora, dos explorados e oprimidos, dos sem terra, progressivamente sob o regime capitalista.

O CAPITALISMO SE AFUNDA MORAL, POLÍTICA E ECONOMICAMENTE MERGULHADO EM UMA GIGANTESCA CRISE ECONÔMICA

Trilhões de dólares desapareceram como fumaça nas Bolsas. Empresas gigantescas como a General Motors pediram concordata demitindo dezenas de milhares de trabalhadores. Os EUA, Europa e Japão entram na maior recessão desde a segunda guerra mundial. A OIT prevê 50 milhões de desempregados. Alguns dos maiores bancos do mundo faliram ou foram estatizados ou socorridos pelos Estados (EUA, Inglaterra, França, Alemanha). Os governantes que durante anos bradaram contra a intervenção do estado na economia agora estatizam bancos e empresas sem a menor vergonha. Friedrich Engels tinha razão ao afirmar que o Estado burguês é o Comitê Central dos negócios da burguesia. É uma máquina de guerra opressora de defesa dos interesses e privilégios de uma classe social minoritária e parasitária da economia.

Em todos os lugares os governos dizem que se esforçam para salvar “A Economia”. Mas, o que fazem é apenas tentar salvar o capitalismo e alguns capitalistas, atirando uma chuva de dinheiro no poço sem fundo da monstruosa crise mundial de superprodução, típica conseqüência da sobrevivência do sistema capitalista.

Há mais de 160 anos Marx já explicava: “De que maneira consegue a burguesia vencer essas crises? De um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos. A que leva isso? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las.” (Manifesto Comunista, 1948). Não foi isto que vimos durante todo o século 20?!

O GOVERNO ELEITO PELOS TRABALHADORES E A CRISE CAPITALISTA

O governo brasileiro participa desse esforço mundial para salvar os pobres banqueiros, os grandes empresários e especuladores. Uma série de medidas são tomadas para “estancar” a crise: liberação do depósito compulsório para os bancos, permissão para que Banco do Brasil e Caixa Econômica comprem outros bancos e empresas ou injetem dinheiro assumindo participação minoritária em bancos privados, retirando impostos das gigantes multinacionais, liberando bilhões de reais para financiamentos subsidiados pelo BNDES, etc. Enfim, traduz-se para o bom português as medidas adotadas nos países imperialistas – EUA, Inglaterra, Alemanha, etc.

O governo Lula, de coalizão com a burguesia, assim como a maioria da direção do nosso partido, não entendeu o que estava sendo preparado, não entende o que está acontecendo hoje e não sabe o que fazer para sair da crise e dos perigos que ameaçam o partido e a classe trabalhadora. Sua orientação de reformar o capitalismo impede uma análise correta da situação e paralisa qualquer iniciativa real de saída do ponto de vista da classe trabalhadora. Hoje, todas as grandes correntes da direção do partido votam juntas as mesmas resoluções e apóiam a política do governo e suas alianças com a burguesia e seus partidos (PMDB, PP, PDT, PR, etc.).

A Resolução Política aprovada no 3º Congresso do PT (2007) é clara sobre qual perspectiva se move a maioria da direção do partido e o governo Lula:

“Temos de criar o mercado interno que, com a integração da América Latina, dê dinamismo ao capitalismo brasileiro e promova outro tipo de reforma. A partir daí poderão surgir outros temas em discussão, aparentemente proibidos hoje, como a propriedade social e o caráter da empresa privada. Cria-se uma perspectiva socialista, e não só de reformas dentro do capitalismo” (3º Congresso do PT). Mais claro impossível. Então nossa tarefa é dar “dinamismo ao capitalismo brasileiro”?!

É por isso que os companheiros no governo e na direção afirmaram: primeiro o “Brasil está blindado”, depois “isto é problema do Bush”, depois “a culpa é dos países ricos que não controlaram o mercado”, depois “o Brasil vai sentir só uma marolinha”. E finalmente o incrível pedido aos trabalhadores, no início de uma crise mundial e histórica: “... comprem, comprem para a indústria não parar”!

Os socialistas revolucionários, os marxistas sempre entenderam o significado do capitalismo e suas crises cíclicas, cada vez maiores e mais ameaçadoras. Os socialistas não devem ter, nem espalhar ilusões no capitalismo, um sistema organizado para garantir os privilégios da classe dominante sobre a exploração de bilhões de homens e mulheres trabalhadoras.

O BRASIL EM CRISE E NOSSAS PERSPECTIVAS

Neste momento as demissões já se estendem por todo o Brasil. Milhões de metalúrgicos, vidreiros, plásticos, ferroviários, todos os trabalhadores, estão sendo atingidos. As previsões sobre a economia brasileira em 2009 vêm desabando dos iniciais 5% (anunciados pelo governo em 2008) para a realidade de -1%. Os que acreditaram e venderam a esperança de felicidade no capitalismo não tem como explicar que esta crise resultará em uma terrível depressão econômica mundial.

A realidade se impôs com 654 mil demissões, em dezembro de 2008. Na metade de 2009, já temos 3 milhões de desempregados só nas seis principais regiões metropolitanas. E o emprego industrial, coração do sistema, cai todos os meses. O aumento em serviços não compensa a queda e ainda, sabemos, não resolve nada para o futuro. Em 2008, a produção industrial no setor automobilístico e no setor de mineração caiu 22,5%. Segundo o IBGE, entre junho de 2009 e julho de 2008, a produção da indústria nacional recuou 10,9%. A Produção Industrial Mensal acumulada no 1º. semestre de 2009 também registrou forte retração: -13,4%, em relação aos seis primeiros meses de 2008, a menor taxa semestral desde o início da série histórica, em 1975.

A “confiança” dos especuladores é tanta que mais de 15 bilhões de dólares voaram da BOVESPA, em 2008, e foram para casa (EUA e Europa). Outro tanto já saiu dos papéis do governo, apesar da mais alta taxa de juro do mundo. O BC, de Meireles, que recebeu autonomia “de fato”, não baixa mais os juros porque sabe que se o fizer corre o risco de ver uma debandada do capital internacional. Todos sabem que esta história de “fundamentos sólidos de nossa economia” é uma balela. O Brasil continua um país semi-industrializado, dominado e controlado economicamente pelo capital imperialista internacional. Não tem mercado interno de massas suficiente para sustentar um crescimento econômico como aconteceu nos países industrializados e nunca conquistou realmente soberania nacional frente à economia imperialista. Cresceu dependente e os últimos governos todos só fizeram aprofundar esta dependência.

A Esquerda Marxista, em seu jornal “Luta de Classes”, já explicou inúmeras vezes que esta crise de superprodução estava sendo gestada e empurrada para frente com artifícios que a tornariam muito mais violenta quando chegasse. Por isso explicamos o caráter do PAC, que nunca foi mais do que a tentativa de transformação do Brasil em uma imensa plataforma de exportação agro-mineral, ampliando a dependência brasileira. (Veja artigo em www.marxismo.org.br)

Longe de ajudar a industrializar e enriquecer o país, o PAC é apenas um esforço de incentivo às monoculturas e corredores de exportação de matérias primas a serviço dos grandes conglomerados internacionais. Os empregos gerados pelo PAC são do tipo que se cria num canteiro de obras de um edifício: Depois de pronto o prédio, um pedreiro vira zelador, outro vira porteiro, e se acabaram os empregos.

A maioria dos companheiros dirigentes do PT precisa abrir os olhos e enxergar a catástrofe que se aproxima numa economia que produz um PIB mundial de 50 trilhões de dólares e carrega nas costas uma montanha de papéis especulativos de 600 trilhões de dólares. A artificial extensão do crédito e a especulação financeira foram as drogas de que se alimentou este sistema de crises, de guerras e de miséria chamado capitalismo. Capital dinheiro em abundância, superprodução de capital, endividamento brutal da classe trabalhadora através de armadilhas de crédito como, por exemplo, o crédito consignado, têm como resultado uma crise que ameaça a humanidade. A crise de 1929 provocou a 2ª Guerra Mundial. Hoje uma 3ª. Guerra Mundial é impossível. Mas, que sofrimentos terríveis mais esta crise vai trazer para homens e mulheres que trabalham o dia inteiro e que só desejam uma vida digna e um futuro para seus filhos?

O SOCIALISMO SÓ SE CONQUISTA NA LUTA CONTRA OS CAPITALISTAS E SEUS PARTIDOS

Mas, o capitalismo não acaba sozinho. Em cada crise, após imensas destruições, ele se reconstrói sobre a super exploração da classe trabalhadora. Mas apenas para preparar uma nova e ampliada crise. 

Só o socialismo pode abrir o caminho para a Humanidade. É preciso romper a colaboração de classe com a burguesia e seus partidos, no governo e no Congresso, apoiar-se na organização e mobilização popular e começar a governar no interesse do povo trabalhador do campo e da cidade. A atual coalizão no governo defende os interesses dos capitalistas. A dita “base aliada”, que inclui até os partidos da ditadura militar, só é majoritária no Congresso quando interessa aos capitalistas. Nenhum projeto de real e direto interesse da classe trabalhadora passa por ela. É hora de romper com os inimigos da classe trabalhadora e governar convocando e apoiando-se na mobilização de milhões de trabalhadores em luta por seus próprios interesses.

É hora de explicar aos trabalhadores que o capitalismo traz a guerra e o sofrimento como a nuvem traz a tempestade. É hora de explicar para milhões que a única saída é a estatização do mercado financeiro e de todas as grandes empresas capitalistas nacionais e internacionais. É preciso confiscar os latifúndios e entregá-los para os milhões de trabalhadores rurais sem-terra numa ampla e imensa reforma agrária que acabe com a fome neste país e sustente um verdadeiro desenvolvimento industrial. É preciso atender imediatamente todas as reivindicações populares tão sentidas. É preciso re-estatizar as empresas privatizadas, começando pela Cia. Vale do Rio Doce. É preciso ter a Petrobrás 100% estatal controlando o pré-sal, com a volta do monopólio do petróleo. Revogar a Reforma da Previdência. Garantir Educação e Saúde Públicas e Gratuitas de qualidade para todos. É preciso proibir já as demissões e garantir estabilidade no emprego. Estatizar as fábricas quebradas ou que ameaçam demitir. Confiscar a riqueza dos empresários que demitem ou quebram as empresas.

Um governo do PT apoiado na CUT (a única e verdadeira Central Sindical do Brasil), no MST, e nas organizações populares, tem capacidade e força para acabar com a especulação financeira, decretar o controle do câmbio, o monopólio do comércio exterior, e começar a tomar medidas de planificação da economia no interesse dos oprimidos e explorados.

É nossa tarefa como petistas socialistas explicar que contra a anarquia e caos, contra as crises permanentes do regime da propriedade privada dos grandes meios de produção, contra as conseqüências de uma economia baseada na busca do lucro, a saída é a conquista de um regime baseado na propriedade coletiva e socialista. Um regime socialista com uma economia planificada segundo as necessidades e o interesse do povo trabalhador e controlada democraticamente pelos trabalhadores.

É HORA DE SER REALISTA, COMPANHEIR@! É HORA DE SER REVOLUCIONÁRIO E SOCIALISTA. É HORA DE VIRAR À ESQUERDA E REATAR COM A LUTA PELO SOCIALISMO!

Convidamos tod@s @s companheir@s filiad@s do PT a reagir conosco na luta pelas idéias do verdadeiro socialismo, pelo programa operário e socialista capaz de abrir um caminho neste mundo de horror que o capitalismo e sua sobrevivência impõem à maioria da humanidade. É preciso rearticular o partido e construir a corrente de massas, socialistas, contra a colaboração de classe e o reformismo para avançar nas conquistas e ganhar as eleições de 2010. O PT precisa voltar a organizar e mobilizar a juventude e os trabalhadores na luta pelo socialismo ou a desmoralização política vai trazer de volta à Presidência da República a direita capitalista e entreguista que ainda controla este país. O governo do PT tem que apoiar, e se apoiar, na revolução venezuelana, retirar as tropas do Haiti e se somar as lutas dos trabalhadores em todo o mundo contra a opressão e exploração capitalista.

PEDIMOS O APOIO E O VOTO DE TODOS OS COMPANHEIR@S FILIAD@S DO PT A ESTA TESE E À CHAPA “VIRAR À ESQUERDA! REATAR COM O SOCIALISMO!”

Junte-se ao nosso combate e enriqueça esta Tese com suas experiências e sugestões.

Organize a discussão e a divulgação destas idéias que fizeram a história do PT. Organize em seu município o apoio à Tese e chapa “Virar à Esquerda! Reatar com o Socialismo!” para que o PT volte a ser orgulho e fonte de ânimo para os militantes de todo o Brasil. Vamos fazer ressurgir em cada município, em cada zonal, em cada estado, com a força que tem no interior de nosso partido, a voz do socialismo revolucionário que está na origem da fundação do Partido dos Trabalhadores.

“Que ninguém ouse duvidar da capacidade de luta da classe trabalhadora” é o que reafirmamos para todos os companheir@s que já esqueceram que foram com as maiores greves e mobilizações de nossa história que nós mudamos o Brasil, defendemos a classe trabalhadora e impusemos nossas conquistas.

É hora de ser realista, companheir@! É hora de ser revolucionário e socialista!
É hora do PT virar à esquerda e reatar com a luta pelo socialismo!


Entre em contato: sergegoulart@marxismo.org.br. Convide outr@s companheir@s para a discussão e divulgação desta Tese e das chapas marxistas e revolucionárias, em todos os níveis, que lutam para reconduzir o PT para a esquerda, para junto das lutas da classe trabalhadora, para a luta pelo o socialismo.

24 de julho de 2009.